CRÍTICAS ESTREIAS

A Bruxa: De onde vem o medo

a-bruxa-the-witch

Estabelecer uma atmosfera de suspense é um bom primeiro passo para chegarmos a um filme de terror de qualidade. A Bruxa (2015) parte daí e soma outros ingredientes para se tornar um expoente recente em seu gênero. Tudo converge para o medo: o cenário, a história, a presença de um casal de gêmeos, o bode que os personagens criam,…

MAIS:
Vídeo: Elenco fala sobre ambientação
Vídeo: Diretor comenta inspirações

A história se passa em 1630, quando uma família inglesa tenta a sorte em uma fazenda nos Estados Unidos. No local, uma série de acontecimentos estranhos colocam o clã em uma espiral de paranoia. Desde uma safra triste na lavoura até o desaparecimento do bebê, qualquer revés faz os dedos apontarem para a filha mais velha (Anya Taylor-Joy, de Atlântida), que não consegue refutar as acusações de estar em conluio com o demônio.

Ao contrário de outros roteiros com teor sobrenatural, A Bruxa não perde tempo em dúvidas. Logo que o bebê desaparece, o público está ciente que se trata de uma força do mal e não obra de lobos famintos. Uma vez estabelecido o cenário sombrio, entram em cena aspectos mundano que colaboram para aumentar a tensão.

O primeiro e mais presente deles é a religiosidade. Por se tratar de uma família de puritanos, não lhes cabe ceticismo e eles são logo envoltos na magia negra. É a fé que aos poucos enlouquece os personagens. Outro fator mais sutil é a puberdade, especialmente em Caleb (Harvey Scrimshaw). A libido se desperta no garoto e traz mais pressão para sua frágil psique.

A cereja no bolo é que boa parte do roteiro e dos diálogos em inglês arcaico foram extraídos de relatos reais da época, de pessoas que alegaram ter presenciado fenômenos sobrenaturais. Portanto, A Bruxa não é um terror para iniciantes ou para quem busca sustos de pular na poltrona. Esse filme é para quem quer apreciar uma construção minuciosa de medo genuíno.

Cotação: ****

Publicidade

1 Comentário

Deixe o seu Comentário