CRÍTICAS ESTREIAS

Ande Comigo: O soldado e a bailarina

Thomas (Mikkel Boe Følsgaard) é um soldado dinamarquês de 25 anos, em missão no Afeganistão de 2009. A sequência inicial é breve, mas avassaladora. Ele espera o técnico em minas rastrear um terreno, para então levar chocolate a um grupo de crianças na aldeia próxima. E aí vem o estouro. A câmera lenta capta o sangue jorrando e seus olhos se fecham. Só quando acorda no hospital, Thomas vê que perdeu as duas pernas.

A surpresa de Ande Comigo é que o filme da cineasta Lisaa Ohlin vai além do drama de superação para se transformar em uma história de amor. Enquanto começa o processo de recuperação para o uso de próteses, Thomas alterna momentos de resginação com instantes de otimismo e outros de fúria. Fica tão instável que a mãe se afasta e a namorada se assusta.

Quem se interessa por ele, contudo, é a bailarina Sofie (Cecile Lassen), que tem acompanhado a tia em tratamento de câncer nas sessões de fisioterapia. Sofie é tão protagonista quanto Thomas e a diretora explora com delicadeza o antagonismo dessa dupla improvável: ele com as pernas destruídas, ela capaz de fazer arte com o corpo.

E não é só. Porque o trauma bloqueou o momento da tragédia na mente de Thomas, mas, na medida em que as imagens começam a voltar, fica claro que alguma coisa errada – e inesperada – provocou a explosão. No caso de Sofie, embora as dificuldades sejam mais voltadas aos ensaios de um espetáculo que ela vai estrelar, a relação com a tia revela o quão solitária tem sido a vida da jovem.

Ande Comigo vai na contramão da cartilha romântica por manter os pés firmes no chão. Nenhum dos dois parece em condições de manter um relacionamento, mas nas horas amargas o soldado e a bailarina dividem suas dores e a gente torce para que eles fiquem juntos.

Cotação: 

Publicidade

1 Comentário

Deixe o seu Comentário