CRÍTICAS ESTREIAS

Antes Que Tudo Desapareça: Invasores de corpos

“Meu marido não é o mesmo”, diz uma personagem do clássico romance de Jack Finney (1911-1995), Os Invasores de Corpos (Invasion of the Body Snatchers). Hollywood não se cansa de adaptar essa história sobre alienígenas que tomam corpos humanos para dominar o planeta. Originalmente, a metáfora era com o comunismo, mas as versões mais recentes exploram outras ameaças externas.

Há muito da obra de Jack Finney em Antes Que Tudo Desapareça, embora o cineasta japonês Kiyoshi Kurosawa (Para o Outro Lado e Creepy) tenha partido da peça teatral de Tomohiro Maekawa. Um dos três alienígenas que invadem corpos para investigar a Terra antes da dominação toma justamente o lugar de um marido adúltero. Esse é o mais pacífico e que pena para se adequar à nova forma física.

O repórter e os jovens “invadidos”

A adolescente que promove uma chacina logo no início é um alien violento e expert em artes marciais. O terceiro é um jovem bem-humorado que não esconde seus intentos do repórter de um canal de TV que se torna seu guia – tanto pelo instinto jornallístico de checar a absurda situação quanto para, quem sabe, salvar a humanidade.

Terror, ação, romance, comédia, ficção científica e drama fundem-se nesse caldeirão saboroso, embora desequilibrado, que surpreende pelo toque de lirirmo. A missão pré-guerra dos ETs é compreender nossa raça através da coleta de conceitos: posse, amizade, família, liberdade, trabalho e, não poderia faltar, amor. A pessoa de quem o conceito é coletado (com o toque do dedo) simplesmente perde-o e o efeito é inusitado.

Um dos destaques da Mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes 2017, Antes Que Tudo Desapareça apela aos seres de outro planeta para que o ser humano olhe para si mesmo.

 

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