CRÍTICAS ESTREIAS

Aquaman: Sem medo de ser exagerado

Aquaman é um show. Um show de cores, imagens submarinas deslumbrantes, ondas raivosas avançando sobre a superfície, criaturas de sonho e pesadelo, cenas irretocáveis no Saara e na Itália e o físico de Jason Momoa. Visualmente, há pouco a criticar além de um ou outro dublê digital óbvio em seus movimentos não naturais, que podem ser creditados à condição super-humana dos personagens por quem quer deixar o exagero digital pra lá. Em resumo, uma aventura que merece ser vista em tela grande e que vai perder muito de seu impacto para quem deixar o longa para assistir na TV ou pior, na minúscula tela do celular.

Na pele do personagem de quadrinhos capaz de se comunicar com as criaturas marinhas, Jason Momoa assume o papel do herói relutante que sabemos que vai assumir o lugar ao qual está destinado, um clichê entre vários outros presentes no filme. Seu Aquaman é um sujeito meio rústico, um grandalhão bebedor de cerveja que vaga pelo mundo fazendo o bem, incluindo salvar militares russos, um detalhe interessante num filme americano.

Como é obrigatório no gênero, após participar de um longa como parte de um grupo (Liga da Justiça), Aquaman tem de usar parte de seu filme solo para contar a origem do personagem. Afinal, não é todo o público que o conhece dos quadrinhos, ou mesmo da versão loira da animação de TV. E nada melhor para começar do que a história de amor entre um faroleiro (Temuera Morrison, o Jango Fett de Star Wars: Episódio I) e Atlanna (Nicole Kidman em participação especial), rainha que foge de um casamento arranjado em seu reino. Dessa união proibida, nasce Arthur que, agora adulto, é obrigado a envolver-se com o reino submarino para evitar a destruição do planeta, como convém a uma aventura de super-herói.

Nesse caminho, sobram lutas que, com frequência absurda envolvem alguém sendo jogado contra uma parede e seguindo em frente, numa estética de videogame que em um duelo chega a incluir tabelas com os poderes dos oponentes. São muitos, também, os momentos cômicos, e pouca a química entre Aquaman e Mera (Amber Heard, de A Garota Dinamarquesa), princesa de ação que toma praticamente todas as decisões e atitudes para que o herói atinja seu potencial, o que inclui um enorme paralelo com as lendas Arturianas e a posse da espada mágica Excalibur. Mas a mescla de lendas e mitologias diversas nos quadrinhos não é novidade ou defeito. O problema de Aquaman é a qualidade ruim dos diálogos, amenizada por pequenos momentos de seriedade, como a bronca do povo subaquático contra a poluição dos mares e encoberta pelo visual estonteante.

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