CRÍTICAS ESTREIAS

Arlequina é a melhor coisa de Esquadrão Suicida

Mesmo para quem não é fã de quadrinhos, filmes como Batman: O Cavaleiro das Trevas e Capitão América: O Primeiro Vingador representam cinema de qualidade – direção segura, elenco afinado, narrativa coerente e um drama pessoal digno e envolvente. Até o primeiro Homem de Ferro se provou uma deliciosa mescla de ação e comédia, graças à dupla Robert Downey Jr. e Jon Favreau. Outras adaptações de super-heróis, contudo, ficam restritas ao gosto dos fãs, que lotam os cinemas para ver seus personagens preferidos em carne e osso e deixam o senso crítico para a imprensa especializada.

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A expectativa em torno de Esquadrão Suicida é enorme. A Warner reuniu um elenco de ponta para dar vida à horda de supervilões da DC Comics e apostou em David Ayer (Corações de Ferro) para comandar a trupe. Viola Davis faz a toda-poderosa Amanda Waller, a criadora do bando escalado a contragosto para combater o crime. Will Smith é Pistoleiro, Jai Courtney o Capitão Bumerangue, Jay Hernandez pega fogo como El Diablo e Joel Kinnaman convence como o militar e líder Rick Flag. Ainda tem Cara Delevingne como Magia, a novata Karen Fukuhara na pele da espadachin Katana e Adewale Akinnuoye-Agbaje  como Crocodilo. Até Ben Affleck comparece como Batman. Já o pouco aproveitado Amarra, feito por Adam Beach, entra e sai de cena de supetão.

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É mais que sabido, porém, que os fãs queriam mesmo é ver a versão do Coringa de Jared Leto e a atuação de Margot Robbie como sua amada Arlequina. E a verdade é que eles não só roubam todas as cenas como salvam uma trama pra lá de bagunçada e sem foco. Como é de praxe em filmes de “origem”, Esquadrão Suicida tem muita história pregressa para contar, e a apresentação de cada vilão forma um quebra-cabeça de peças mal encaixadas.

Com mais tempo na tela que o Coringa, Arlequina exala perigo e insanidade por cada poro. Ela é imprevisível, absurdamente sensual e dona de um sarcástico senso de humor. Não foi à toa que Martin Scorsese escolheu a atriz australiana para fazer par com Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street. Além do carisma, ela possui psique du rôle de supervilã e é nada menos que sublime quando revela seu lado terno e borra a colorida maquiagem com lágrimas.

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Muito diferente do Coringa histriônico feito por Jack Nicholson e do psicopata melancólico que rendeu o Oscar póstumo a Heath Ledger, Jared Leto cria um Coringa nervosinho e de certa forma elegante, mas não menos perigoso e lunático. É pena que seja apenas coadjuvante e termine mal explorado pelo enredo. Mas a novidade aqui são suas motivações. Seus ataques são guiados pelo amor por Arlequina, e isso é novidade no retrato do personagem na telona.

As cenas de ação são realistas, cenários e figurinos um show à parte, mas a trama cai na mesmice ao colocar os anti-heróis diante de uma força sobrenatural que faz lembrar cenas de O Aprendiz de Feiticeiro. No fim, Esquadrão Suicida é uma grande colcha de retalhos costurada por um fio de ouro chamado Margot Robbie.

Cotação: ***1/2

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6 Comentário

  • Mais uma chance desperdiçada de se contar uma boa e difetente história com personagens da DC. Pela propaganda se imaginava um outro produto. Até o enredo do filme animado do Esquadrão Suicida que saiu em DVD é bastante superior ao que está nos cinemas hoje.
    O Coringa deve estar chorando agora.
    Santa burrice, Warner!!! Por que estão estragando os nossos vilões???

  • Personagem de Arlequina digno de um Framboesa de Ouro:

    “olha gente como sou maluquinha”
    “perto do Coringa eu sou totalmente submissa”
    “olha gente como sou maluquinha”
    “Meu poder é ser maluca e gostosa lá,lá,lá”
    “olha gente como sou maluquinha”

    Não, detestei o personagem dela.

    • Já leu hq ou conhece a personagem de qualquer outra mídia? Essa é a arlequina,ela usa da sexualidade,antes de ser a arlequina ela já usava disso na faculdade.Ela é submissa ao coringa,eles possuem uma relação extremamente abusiva(bem mais do que o filme mostrou,por sinal),demorou anos pra personagem ”seguir em frente”,falo da relação dela com a hera venenosa.Enfim,se você não gostou o problema certamente não foi com a atuação da Margot nem com o roteiro da personagem porque ambos são muito fiéis.Seu problema deve se com a personagem mesmo.

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