CRÍTICAS ESTREIAS

As Duas Irenes: Tempo de descobertas

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Primeiro longa na direção do curtametragista Fabio Meira, As Duas Irenes passou pelos festivais de Berlim e Guadalajara (México), de onde saiu com quatro prêmios, entre eles o de Melhor Fotografia. Sua estreia em solo brasileiro aconteceu no recente Festival de Gramado e os prêmios também vieram, como os de Melhor Roteiro e o do Júri da Crítica. Agora, ele chega ao circuito comercial e VOCÊ tem a chance de conferir, e concluir, se ele foi merecedor ou não.

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Priscila Bittencourt e Marco Ricca, em As Duas Irenes (2017)

Na história, jovem de 13 anos descobre que seu pai tem uma outra família e que possui uma “irmã” com a mesma idade e nome. Turbinada pelas eventuais mudanças provocadas pelos hormônios da puberdade, ela mergulha em uma jornada de descobertas sobre esse “outro eu” sem medir as consequências dessa investida, uma vez que sua mãe e irmãs oficiais não têm a menor ideia do que se passa durante as inúmeras ausências do marido e pai.

as-duas-irenes-2017-4É justamente aí que o roteiro do cineasta ganha força. Ao embutir elementos de suspense nesse drama familiar, Meira não só provoca com esse fato conhecido da sociedade brasileira (e de outras), da outra família, como também faz o espectador vivenciar o latente desejo de enfrentamento da protagonista e as suas descobertas. Com ela, deixamos de ser BV (boca virgem), conhecemos as (não) curvas do corpo, conquistas e dotes já corriqueiros para a “outra”, mais avançada. Curiosamente, nessa viagem até o cinema é personagem e homenageado com seu outro significado, eternizado pela eterna mutante Rita Lee no sucesso “Flagra”. Tudo a ver com o despertar da libido, aqui evidente, e esse clássico uso das salas escuras para trocas de carícias.

as-duas-irenes-2017Sem situar a trama no tempo e com bela fotografia, não faltam planos interessantes. De um simples e significativo registro de um revoar de folhas idênticas, mas de cores diferentes de uma mesma vegetação, até um forte mergulhar numa banheira, é inegável o cuidado da produção. Algo que não aconteceu, no entanto, com a nudez pontual, bonita, mas desnecessária da jovem atriz, que poderia ter sido evitada com um plano não tão explícito e de igual significado. Com boa trilha sonora e elenco muito bem afinado, com estreantes e veteranos, As Duas Irenes tem potencial de reter sua atenção do início ao fim. Boa sessão!

PREVIEW viajou a convite da organização do Festival de Gramado 2017.

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