CRÍTICAS ESTREIAS

A Bela e a Fera: Fiel até demais

Há um fuzuê danado ao redor da versão live action de A Bela e a Fera. E não por ser uma adaptação do conto que a francesa Jeanne-Marie Leprince de Beaumont escreveu no século 18 – porque são inúmeras e a mais recente, de 2014, foi estrelada por Léa Seydoux e Vincent Cassel. O rebuliço é por ser mais um desenho da Disney a ganhar nova roupagem com atores reais. Mogli, Cinderela e Malévola foram um sucesso, e em breve será a vez A Pequena Sereia.

Acontece que A Bela e a Fera está em outra posição. A produção de 1991 foi indicada a seis Oscar, inclusive de melhor filme, e teve papel fundamental na criação do Oscar de melhor animação, em 2002. Não é a toa que essa celebração do original, 26 anos depois, gere enorme expectativa. Mas a acolhida tem sido OK, sem grande entusiasmo.

Tem gente que reclama que é um musical. Ora, o original não só era um musical como o compositor Alan Menken ganhou dois Oscar, de melhor canção e trilha sonora. Antes de ir ao cinema, portanto, saiba que o filme é um musical comandado por Bill Condon, autor do roteiro de Chicago e diretor de Dream Girls: Em Busca de um Sonho. As músicas são lindas e há canções inéditas na trilha novamente assinada por Menken.

Agora, como cinema, A Bela e a Fera é requintado, tem ótimos efeitos e momentos de emoção, claro, mas não tem aquele algo a mais que arranca suspiros. A Bela interpretada por Emma Watson não provoca o mesmo efeito, por exemplo, que a Malévola de Angelina Jolie. O enredo até investe no empoderamento feminino, com uma mulher à frente de seu tempo, mas a atriz é mais interessante em seus discursos engajados fora das telas do que em cena.

Calma, o filme é bom. O elenco é carismático. Luke Evans é a escolha ideal para viver o narcisista Gaston e o diretor não teve medo de provocar polêmica em fazer seu fiel escudeiro, LeFou (Josh Gad), sair do armário e responder pelas cenas cômicas. Há frescor nessa sintonia com o mundo moderno e quando os objetos do castelo retomam a forma humana, o elenco de estrelas como Emma Thompson, Ewan McGregor e Ian McKellen engrandece a produção. A Fera interpretada por Dan Stevens é mais atraente como monstro do que com o rosto lavado – repare que a própria Bela faz um comentário nesse sentido na dança final.

Há poucas novidades na história, que segue praticamente idêntica ao original. A não ser pelo início, que explica melhor as razões da maldição lançada sobre o príncipe, e uma sequência de volta ao passado de Bela, que revela o destino da mãe dela e sua forte relação com o pai, Maurice (Kevin Kline). Se a ideia é matar as saudades do original, vá feliz ao cinema! Só não espere uma obra-prima.

Cotação: ***1/2

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