CRÍTICAS ESTREIAS

Big Jato: Tipos nordestinos

Cena do filme Big Jato (2015)

Depois de uma carreira marcada por polêmicas e filmes viscerais, Cláudio Assis (Febre do Rato) segue por um caminho mais ameno ao entregar um romance de formação sertanejo em Big Jato.

O roteiro gira em torno da relação do garoto Xico (Francisco de Assis Moraes) com duas figuras masculinas que lhe são referenciais, ambas vividas por Matheus Nachtergaele (Trinta). O pai Francisco é um típico machão nordestino e representa as tradições mais duras e atrasadas. Ele viaja em um caminhão para limpas fossas e leva o filho junto. O homem bruto demonstra preocupações genuínas sobre o menino, mas não leva jeito para ser tutor. Machista, ele quer criar um “cabra-macho”.

O outro lado da moeda é Nelson, tio do protagonista. O radialista representa a liberdade e a modernidade. Nelson incentiva o sobrinho a ser poeta e se preparar para abandonar a pequena cidade onde moram. O projeto do tio é que Xico realize os sonhos que ele mesmo não conseguiu alcançar por estar preso a sua terra.

O que une os dois irmãos é o amor pela música da banda Os Betos. O grupo executa canções em um inglês duvidoso e, diz a lenda, precisou se afastar do show business para dar espaço para que certos rapazes de Liverpool pudessem brilhar nos anos 1960.

A trilha formada pelo embromation de Os Betos é mais um fator para a criação de uma atmosfera de autenticidade em Big Jato. O longa nos leva a uma típica pequena cidade nordestina, com ingredientes charmosos que só conhece quem passou por essas localidades na vida real.

O filme marca a quarta colaboração entre Assis e Nachtergaele e a forma como o ator defende esses arquétipos é comovente. Graças à interpretação de Matheus, conseguimos perdoar a dureza de Francisco ou a vagabundagem de Nelson. Unem-se aos dois irmãos, outras figuras representativas do cenário: a esposa (Marcelia Cartaxo, de A História da Eternidade) que se revolta com o marido, mas não vê saída; o garoto com trejeitos afeminados que sofre bullying; entre outros.

Apesar de se afastar da verve intensa dos trabalhos anteriores do cineasta, Big Jato não é um filme açucarado. O tom áspero e agridoce é o que encanta, como uma receita sofisticada de um restaurante renomado.

Cotação: ****

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