CRÍTICAS ESTREIAS

Boneco de Neve: Podia ser tão bom…

Michael Fassbender é o cara que elevou o nível dramático da saga X-Men, como o jovem Magneto em Primeira Classe, com uma atuação que vinha das entranhas. E o que dizer da parceria com o cineasta Steve McQueen, para quem viveu um viciado em sexo em Shame e um brutal senhor de terras em 12 Anos de Escravidão? Nem todo grande ator faz sempre grandes escolhas, mas arrisco dizer que o astro alemão acreditou que o projeto Boneco de Neve era uma aposta certeira.

O inspetor Harry Hole, anti-herói da saga literária do escritor norueguês Jo Nesbø, é uma lenda entre os investigadores, mas também um alcoólatra depressivo. Ou seja, alguém com facetas suficientes para Fassbender interpretar com sua habitual intensidade. E o diretor é ninguém menos que Tomas Alfredson, que assina a primorosa adaptação do romance de Jon le Carré, O Espião que Sabia Demais, e a versão original de Deixa Ela Entrar, que ganhou um remake hollywoodiano

Mas algo aconteceu no caminho e a receita de sucesso desandou. A trama ambientada na gelada Oslo coloca Harry Hole na pista de um assassino serial de mulheres, para as quais deixa de “brinde” um boneco de neve. As vítimas têm algo em comum: são mães e cometeram algum tipo de traição. A Harry junta-se a policial Katherine Bratt (Rebecca Ferguson), ela também com seus traumas pessoais.

Flashbacks inserem outro detetive (Val Kilmer) nessa trama picotada e mal colada, que apela a coincidências risíveis para explicar o elo entre diversos personagens. E haja personagens. O espectador que não leu o livro fica com aquela sensação de que a adaptação não dá conta de sintetizar o romance. Ledo engano.

O roteiro é fiel apenas na essência. Há invenções mirabolantes que dão ainda mais nó em um enredo que já é uma confusão. As mudanças atingem até os protagonistas e devem ter decepcionado os fãs. Nesse emaranhado, Fassbender surge perdido, feito barata tonta, sem saber o que fazer com Harry Hole.

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