CRÍTICAS ESTREIAS

Carolina Ferraz vive transgênero em A Glória e a Graça

Flávio R. Tambellini (Malu de Bicicleta) é um versátil veterano do cinema: foi diretor assistente e roteirista de Gabriela, de Bruno Barreto, em 1983, é ator, além de produtor de 39 filmes. A Graça e a Glória é seu quarto longa-metragem, do qual também é produtor, em parceria com Carolina Ferraz, impecável no papel da travesti Glória.

Ela entrevistou mais de 60 transgêneros e travestis para compor sua personagem. Foi a atriz, aliás, quem apresentou ao diretor o drama multifacetado sobre Graça (Sandra Corveloni), mãe solteira de Papoula e de Moreno, com 15 e 8 anos, que trabalha com medicina alternativa e descobre estar com um aneurisma cerebral incurável. Sem saber quanto tempo lhe resta, ela pede ajuda ao irmão Luiz Carlos, a quem não vê há 15 anos, e que atualmente é a bem-sucedida Glória, dona de um restaurante em Santa Tereza, no Rio.

Enquanto Graça vive no registro do contido, às voltas com o trabalho e a sobrevivência dos filhos, Glória é a exuberância em pessoa, sem esconder o quanto lhe custou conquistar o que tem hoje, e o filme, como sugere o título, busca o difícil caminho afetivo que acolha a ambas.

A narrativa se perde um pouco sob a batuta de Tambellini, que nem sempre dá conta de explicar o passado turbulento dos irmãos, a transformação de Glória e seu dilema com o retorno compulsório à família, além do drama de Graça em relação aos filhos. Esses deslizes não são o suficiente para comprometer a emoção, combustível essencial ao gênero, e os importantes temas contemporâneos que o filme toca.

Cotação: ***1/2

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