CRÍTICAS ESTREIAS

Casamento de Verdade: Armadilha para homofóbicos desavisados

Devo confessar que sinto uma alegria especial quando pessoas idiotas são punidas por sua própria burrice. Apesar de não ser um filme muito bom, Casamento de Verdade me dará esse prazer de forma dobrada.

Tudo porque o longa conta a história de uma mulher (Katherine Heigl, de O Casamento do Ano) que sai do armário para sua família. Jenny sempre foi considerada uma perdedora no campo sentimental, mas na verdade esconde que nos últimos cinco anos namora Kitty (Alexis Bledel, de Gilmore Girls: A Year in the Life). Agora que as duas querem se casar, é o momento de acabar com a farsa.

Como aconteceu na época do lançamento de Praia do Futuro (2014), muitas pessoas vão entrar na sala de projeção sem saber a sinopse ou ver o trailer do filme. Aí os homofóbicos ficarão ofendidos e espernearão que foram enganados. Tudo porque o título e o cartaz do filme não adiantam claramente seu conteúdo gay.

Esse será um lindo golpe em homofóbicos que também são mal informados quando o assunto é cinema – daí o prazer dobrado. No filme nacional, a expectativa era ver um “filme do Capitão Nascimento” e não um drama sobre abandono. Agora, muitos acharão que se trata de mais uma comédia romântica protagonizada por Heigl, mas trata-se de um drama familiar. Claro que a confusão de gêneros não será o problema, mas o conteúdo homossexual, com direito a beijo entre as namoradas (como deve ser em um filme com tal temática).

Não há nada de errado em adentrar no cinema sem conhecimento prévio do que será visto, contanto que se saiba dos riscos e recompensas que tal postura pode trazer. Hoje em dia, as informações dos filmes estão na palma da mão de qualquer um com smartphone; portanto, não há desculpa para não se precaver, se não quiser surpresas – sejam elas positivas ou negativas.

Apesar das potenciais confusões além-tela, Casamento de Verdade é uma produção bem-intencionada, mas um tanto inocente. Traz momentos bem fracos, um excesso de trilha musical e cortes entre cenas nada sutis; porém seu objetivo é passar uma mensagem de amor e respeito. É indicado quase como um terapêutico para pais com dificuldades em aceitar a orientação sexual de seus filhos. Como cinema, tem o mesmo grau de qualidade de muitos títulos genéricos que passam em sessões vespertinas de televisão.

Cotação: **

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8 Comentário

  • Um filme onde o foco é a filha que mente, engana e esconde o fato de ser sapatão, humilha toda a família perante os amigos e familiares depois que resolve sair do “armário”, muito “mi mi mi” para revelar aos pais que ela gosta de receber dedadas e de membro de borracha.Muito tosco o filme.

    • Tem razão, Daniel. Ela deveria mesmo reprimir seu amor e seus desejos para manter a paz da família! Onde já se viu querer ser feliz com a mulher que ela ama, não é mesmo? Só essa parte das dedadas e membro de borracha que eu não lembro, acho que deve haver algum outro corte do filme, com cenas de sexo.
      (Aviso:esse comentário contém ironias)

      • O filme realmente não relatou o que eu disse, mais foi o que deixou a nós mortais como expectadores a pensar no comentário dos personagens discutindo de como seria a forma de sexo entre duas mulheres, ai sexo não existe, existe sim só satisfação do desejo. Ironia é o filme mostrar uma relação homo-afetiva como se fosse uma instituição fundamentalmente verdadeira, em si o nome do filme já é uma ironia (Casamento de Verdade), tirando o mérito de um casamento hétero não ser verdadeiro, o filme mostra um casamento hétero falido, como se tudo foca-se em valores familiares somente entre duas mulheres. Acho que ai há uma inversão de valores. E o fato de citar amor entre duas mulheres, que no caso fica difícil de discutir isso, pois a psicologia existem muitos artigos, casos e relatos mostrando que isso não passa de frustração, curiosidade e consequentemente um desvio de sexualidade não assumida, resumindo, isso não é natural, não é normal. Viver em um mundo tentando tornar uma relação homo-afetiva alternativa normal esta cada vez mais difícil, está deixando as pessoas doentes, sem sanidade mental a cada dia, e ainda dizem que um casamento lésbico pode ser estável, nunca vi em minha profissão um relato de um casamento homossexual durar mais que 10 anos.(irônico).Ainda afirmo que o filme é uma base fundamentalista de se criar uma instituição promovendo a relação homo afetiva, querendo tirar os valores do que é um casamento hétero. Antes de falar em ironia, assista o filme e seja critico, não seja idealizador de valores, ainda mais aqueles que perece que você não conhece.

        • Olá novamente, Daniel

          O filme realmente inverte valores, mas para denunciar que não é o fato de ser heterossexual ou normal que resulta na felicidade, mas o amor e a escolha de um parceiro que faça bem.
          Agora tenho de discordar totalmente quando começa a falar de “achados da psicologia”. Nesse caso, prefiro acreditar mais na Organização Mundial da Saúde (OMS, órgão ligado a ONU) que proíbe que a homossexualidade seja tratada como distúrbio mental.
          É uma pena que não conheça casais homossexuais duradouros. Em meu convívio, tenho vários exemplos que ultrapassam muito essa barreira de 10 anos por você fixada.

          Att

  • Não sabia que discordar da prática homossexual era ser homofóbico! De que constituição, dicionário ou enciclopédia você tirou isso?

  • Ah, sempre gosto de ser surpreendido no cinema. De alguns anos para cá, evito até assistir trailers de filmes (exceto aqueles exibidos nas sessões de cinema e se forem legendados). Uma prática que adotei após frequentar festivais onde é praticamente impossível se informar sobre todos os filmes. Surpresas (boas ou ruins) a cada sessão.

    O mundo aqui fora me espanta mais do que um filme na telona.

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