CRÍTICAS ESTREIAS

Casanova e Drácula têm um encontro inusitado em A História da Minha Morte

Quem já conhece o estilo do espanhol Albert Serra (Honra de Cavalaria) não precisa de aviso, mas os incautos devem ser informados que A História da Minha Morte (2013) tem quase duas horas e meia de duração e muito pouco acontece na telona. É cinema experiência – estimulante para alguns, insuportável para outros. No Festival de Locarno de 2013, Serra foi laureado com o Leopardo de Ouro.

A trama retrata aquela que teria sido a última viagem de Casanova pelo leste europeu, no fim do século XVIII. Vicenç Altaió não é ator profissional e os fãs do personagem podem sentir saudades das encarnações mais vívidas de Donald Sutherland e Marcello Mastroianni nos filmes de Federico Fellini e Ettore Scola, respectivamente. O clima aqui bebe na fonte das obras do russo Aleksandr Sokurov, que também apostava no vazio do cotidiano para iluminar figuras históricas como Lênin, em Taurus (2001), e Hitler, em Moloch (1999).

O sedutor aparece em longos momentos de contemplação, silêncios intermináveis e algumas cenas de sexo. Os diálogos são raros, mas atestam o interesse do libertino italiano por pensadores iluministas como Rousseau e Voltaire. Trilha sonora e figurinos são pontos fortes. A grande sacada é introduzir Drácula na história, como seu rival na arte da sedução. Interpretado por Eliseu Huertas, que Serra dirigira em Honra da Cavalaria (2006), o vampiro também tem um visual soturno e decadente, mas finca a mandíbula quando a sede e o desejo apertam.

Assim como Sokurov, o diretor espanhol tem apreço por personagens célebres. Don Quixote foi o tema de Honra da Cavalaria e, depois de Drácula e Casanova, ele terá ninguém menos que o ator fetiche de Truffat, Jean-Pierre Léaud, como o moribundo rei Luís XIV da França em La mort de Louis XIV (2016), que estreia este ano.

Cotação **

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