CRÍTICAS FESTIVAIS

Che: Passagem secreta

Alguns documentários se prestam à missão de fazer emergir histórias raras, com acontecimentos inusitados e desconhecidos. Che, Memórias de um Ano Secreto pertence a esse grupo, com o diferencial de que seu protagonista é uma das figuras mais icônicas do século 20. O filme teve uma sessão especial dentro do Cine Ceará 2018.

O longa nos leva de volta à Cuba pós-revolução, no meio da década de 60. Nesse contexto, encontramos um Che Guvara desanimado. Após uma jornada revolucionária pela América Latina, agora sua vida é bem diferente: atua como ministro do governo franquista, com uma rotina totalmente burocrática, muito longe de atender seu permanente anseio ativista.

É como esse espírito que Che deixa a ilha caribenha para dar continuidade a sua investida contra o imperialismo. Com soldados cubanos e sob um disfarce, ele vai à África ajudar na libertação do Congo, sem que a CIA sequer se desse conta de sua partida. Após a instauração de um governo local, Guevara não pode voltar à Cuba e passa um tempo em Praga, antes de ir à Bolívia para sua derradeira missão.

Esses anos obscuros da biografia do argentino são bem característicos de seu tempo, mas não são narrados em suas cinebiografias mais famosas: Diários de Motocicleta (2004) e Che (2008). Com a Guerra Fria em seu ápice, Che era tido pelos Estados Unidos como um homem a ser combatido. Por isso, disfarces elaborados e paradeiros secretos. Assim, temos uma atmosfera no estilo James Bond, algo que o documentário expressa com inspirações nos filmes de espiões desse período. A trilha faz referência a isso já nos créditos iniciais, e alguns grafismos também homenageiam 007.

Com todas essas forças, Che, Memórias de um Ano Secreto não precisa de afetações de linguagem e obtém licença para entregar um filme careta em sua estrutura. Faz bem. O foco é a história e voos criativos mais altos não cabem.

Cotação: *** ½

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