CRÍTICAS ESTREIAS

Chocante: De volta ao tempo das boy bands

As pessoas têm saído do cinema cantarolando “Um Choque de amor…, choque de amor…”, depois de assistir a Chocante, comédia levinha, sem muita novidade, mas que faz um convite à nostalgia para quem era adolescente nos anos 90. “Choque de Amor” foi o único hit da banda fictícia Chocante, uma legítima boy band, mescla de Menudo com Dominó, que deixava a meninada histérica.

Vinte anos depois do sucesso meteórico e da dissolução repentina do grupo, quatro dos cinco integrantes se encontram para o enterro do quinto elemento. Téo (Bruno Mazzeo), Tim (Lucio Mauro Filho), Tony (Bruno Garcia) e Clay (Marcus Majella) estão bem longe dos jovens musculosos e cheios de charme do passado, e agora amargam a realidade da vida adulta – que não foi muito boa com nenhum deles.

No reencontro à base da cervejinha, o papo vai e vem enquanto flashbacks revelam a atual situação de cada um. Pelo tom da conversa, o espectador descobre que o rompimento não foi amigável e que há ressentimentos e segredos na jogada. Quem entra para cortar o clima pesado é Quézia (Debora Lamm, roubando a cena), a eterna líder do fã clube e quem dá a ideia de a banda se reunir para mais um show.

Sem ter muito a perder, eles procuram o empresário Lessa (Tony Ramos), aceitam como novo membro  o novato Rod (Pedro Neschling), vencedor de um decadente reality show, e começam a ensaiar. O filme é isso e nada mais. Nesse caso, porém, é um elogio. Afora algumas piadas repetidas, o elenco está em sintonia, tira muito sarro de si mesmo e, ao mesmo tempo, se entrega à nostalgia com emoção. As cenas dos bons tempos da banda são feitas por atores jovens, mas a graça é quando os trintões tentam repetir as dancinhas.

Há tramas paralelas, com draminhas familiares e profissionais, mas não há onde procurar profundidade. O diretor é o mesmo Johnny Araújo do delicado drama Depois de Tudo (2015), aqui em parceria com Gustavo Bonafé. É pipoca na mão e sorriso no rosto.

 

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