CRÍTICAS ESTREIAS

Colheita Amarga: Frutos nada maduros

Uma das principais armas usadas na Guerra Fria foi a projeção da imagem de um regime eficiente. Mesmo antes da rixa no pós-guerra, os russos já se preocupavam em criar a aparência que o Império Soviético era uma terra de prosperidade, mas esse jogo custou a vida de milhões de pessoas.

Colheita Amarga mostra as repercussões da ambição russa sobre os camponeses ucranianos. O sofrimento se dava por inalcançáveis cotas de produção agrícola, o que resultou na fome de grande parcela da população. O tema merece ficar sob os holofotes, mas podia fazê-lo com um roteiro menos primário.

Tudo começa com o protagonista: Yuri (Max Irons, de A Dama Dourada) vem de uma linhagem de guerreiros, mas é “sensível demais”. Sua contribuição para enfrentar as adversidades é a arte, especialmente desenhos. Temos então um herói doce que destoa em um cenário amargo, sem se preocupar em equilibrar o contraste. Isso gera cenas que parecem tiradas de novelas latinas.

As coisas não ficam melhores para o filme quando consideramos que um dos temas principais é o nacionalismo ucraniano com personagens que falam inglês. A Ucrânia é retratada como terra de pessoas valorosas, mas é difícil acreditar quando se quer o idioma local é ouvido.

Para terminar, Colheita Amarga subestima a inteligência de seu espectador e desenvolve seu enredo com tintas fortes, que intensificam a sensação de novela de quinta categoria. Como dito antes, o herói é um paladino que poderia habitar as páginas de Nicholas Sparks.

A mocinha (Samantha Barks, de Os Miseráveis) não fica atrás, o amor de Yuri desde a infância. Do outro lado, temos Sergei (Tamer Hassan, de A Promessa), um vilão malvado até o último fio de cabelo, como em uma animação para crianças.

O roteiro tem a mesma complexidade narrativa de uma aula do Tele Curso 2000. Almeja criticar a opressão russa, mas causa apenas risos nervosos. No castelo de areia da União Soviética, vale a pena ficar com outro filme recente e falado em inglês: Crimes Ocultos (2015).

Publicidade

Deixe o seu Comentário