CRÍTICAS

Condado Macabro

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por Carlos Primati

O filme brasileiro Condado Macabro, de Marcos DeBrito e André de Campos Mello, que está entrando em circuito comercial em algumas das principais praças do país, depois de ter frequentado festivais internacionais de cinema fantástico, em suas primeiras críticas tem sido reduzido a uma combinação de Porky’s e Sexta-Feira 13. Mais do que preguiçosa, é uma descrição que ignora suas principais qualidades: a reimaginação dos clichês e a negação do óbvio. O que o filme tem de mais convencional é sua premissa: cinco jovens, sendo dois casais e uma moça desengonçada, vão passar o fim de semana numa casa de campo, onde são aterrorizados por uma família de canibais e terminam mortos.

condado-macabroA narrativa não linear, a partir do interrogatório do principal suspeito da chacina – um palhaço de rua golpista chamado Cangaço – propõe uma abordagem pouco convencional. O filme se divide tradicionalmente em três atos: o primeiro é uma comédia adolescente, repleta de (chatíssimas) piadas sobre sexo; o segundo é a matança em si, e o terceiro traz uma reviravolta na trama que amarra todas as situações. No entanto, mesmo na primeira parte não é meramente uma comédia erótica adolescente (mesmo com Leonardo Miggiorin repetindo os cacoetes de Malhação): o sexo é negado ou frustrado em todas as situações e o medo já está presente – temores tipicamente jovens, da inadequação, do deboche, da negação, da rejeição.

condado-macabroA violência, o horror e a morte – os temas dominantes do filme – vão se insinuando lentamente na trama, graças a recursos sutis e eficazes de edição e sonoplastia. E quando a violência toma conta, não tem caminho de volta: até mesmo os palhaços de rua Cangaço e Bola 8 se tornam agressivos, chegando ao extremo de cometer um estupro – e isso você não vê num slasher convencional americano. Francisco Gaspar (Estrada 47) se destaca com facilidade em meio ao elenco, formando uma dupla memorável com Fernando de Paula, ótimo como o ingênuo Bola 8, um alívio cômico muito mais eficaz do que o irritante Beto, personagem de Rafael Raposo (Noel: Poeta da Vila), que só pensa em sexo.

condado-macabroCondado Macabro revisita o subgênero dos filmes de matança com evidentes referências a O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13 e Motel Diabólico, mas é uma reimaginação – e não uma imitação – desse tipo de filme, filtrada por uma visão que, a exemplo do que fizeram outros cineastas que adotaram essa estética (de Tarantino e Rodriguez a Rob Zombie), resgata a experiência crua dos cinemas poeira e do mais tosco que as locadoras de vídeo tinham a oferecer aos fanáticos por horror.

(Cotação: ♦♦♦♦◊)

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