CRÍTICAS ESTREIAS

A Conexão Francesa: Guerra às drogas

Vencedor do Oscar de melhor ator por O Artista (2011), o francês Jean Dujardin está em cartaz na comédia romântica Um Amor à Altura, na pele de um anão cheio de charme. Sem efeitos especiais e no alto de seus naturais 1,82 metros de altura, o astro interpreta um personagem real no drama policial A A Conexão Francesa (2014), que chega aos cinemas brasileiros com atraso. Antes tarde do que nunca.

Os fãs do gênero têm aqui uma espécie de trama paralela à do clássico Operação França, premiado com cinco Oscar em 1972, entre eles melhor filme, ator e diretor. Sob a batuta de  William Friedkin, Gene Hackman viveu o destemido investigador Jimmy Doyle, que comandou uma histórica apreensão de heroína em Nova York. A Conexão Francesa mostra a origem desses carregamentos. Enquanto o personagem de Hackman era ficcional, no filme de Cédric Jimenez todos tiveram seu lugar na crônica policial francesa.

Conexão

Imagens de telejornais da época reportam como a máfia transformou Marselha na capital mundial da heroína e alertam que a droga invadira as ruas de Nova York. Nesse caos, o juiz Pierre Michel une-se a um time de policiais para caçar o chefão local, “Tany” Zampa. Jean Dujardin empresta seu carisma a esse homem obstinado, enquanto Gilles Lellouche não deixa por menos como seu antagonista. Dujardin e Lellouch são amigos na vida real e este é o terceiro filme da dupla, que contracenou no drama Até a Eternidade (2010) e na comédia Os Infiéis (2012).

A trama merecia um corte que lhe tirasse as gorduras. As cenas de ação são convencionais, mas ainda assim envolventes. O maior acerto do diretor é na forma como se debruça sobre a vida familiar dos protagonistas, e assim mostra o quanto eles têm em comum, embora estejam em lados opostos da lei. É no conflito caseiro, por sinal, que Dujardin cresce dramaticamente. O resultado é um policial legítimo, elegante e defendido com afinco pelo elenco, mas que não traz nada de novo ao gênero.

Cotação: ***

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1 Comentário

  • Antes de tudo temos que voltar para 1972 e considerar alguns pontos de “Operação França”, trabalho de William Friedkin que levou o “Oscar” de melhor filme. Uma rede de narcotráfico que se estendia da riviera francesa até seu mercado consumidor, cosmopolita e sombria capital do mundo Nova York. As tensões raciais e a discriminação à “gentalha” de periferia fomentam as tensões contra o anti herói Jimmy Popeye interpretado por Gene Hackman à caça do líder do tráfico Alain Charnier, interpretado por Fernando Rey. Já em “A Conexão Francesa” temos o primeiro longa metragem de grande valor do Diretor Cédric Jimenez focando mais nas negociações escusas entre traficantes, comerciantes e policiais envolvidos, apresentando um pouco da organização da policia trabalhando com amparo pessoal do juiz responsável pelas investigações, participando inclusive pessoalmente de algumas operações de prisão, algo diferente para nós.
    O filme começa com o Prefeito da cidade de Marselha declarando guerra em rede pública de TV contra o narcotráfico, uma trama poderosa e muito bem articulada que tem a capacidade de produzir, atravessar o Atlântico e despejar centenas de quilos de heroína nas avenidas de Nova York com a leniência das mesmas autoridades que esmurram a mesa diante das câmeras. As semelhanças com seu antecessor – “Operação França”, 1972 – não se limitam ao ambiente pela narrativa transmitindo tensão a todo instante, violência regada a muito sangue e a traição pairando em todos os cantos. Por mais que o Diretor não tivesse a menor intenção de hastear bandeiras contra ou a favor pela legalização das drogas, a partir do momento que testemunhamos o lucro gigante menor apenas que o calibre das armas e a violência na repressão dos traidores, lógico que temos opiniões divididas variando de um para outro, potencializado ainda mais quando participamos da vida familiar do Juiz Pierre Michel – Jean Dujardin – cristalizando assim uma caça mocinho contra o bandido.
    Levando em conta que o Diretor busca oferecer tensão como forma de entretenimento o filme cumpre bem seu papel: enquadramentos fechados e pouca iluminação fomentam um clima sinistramente assustador proporcionados pelo eficiente trabalho de fotografia de Laurent Tangy, reconhecido pelo seu trabalho em “Carga Explosiva”, apresentando um dos vilões mais aterrorizantes que se tem noticia encarnado “Lúcifer” na Terra interpretado por Gilles Lellouche dando vida ao tinhoso Gaëtan “Tany” Zampa.
    A direção de arte com auxilio das maquiagens muito bem elaboradas permite um agradável e saudoso mergulho na era dos anos 70/80 bordejado por uma nostalgia extrema com bastante autenticidade, potencializada por uma trama que muito lembra roteiros hollywoodianos dos clássicos esfumaçados pouco iluminados dos anos 40/50 como os vilões vividos por Humphrey Boggart.
    O filme trata de um tema de Estado através de uma história muito bem contada com trilha sonora muito divertida dos anos setenta que impede que fiquemos paramos assistindo. Apesar de não ser novidade para nós as conseqüências do trafico de drogas já que vivemos num país que sofre muito com as conseqüências da forma equivocada como é tratada. Notamos enfim que tudo não passa de uma mascara que se dá o nome genérico em qualquer lugar do planeta que chamamos assim de “políticas de combate”.

    RK

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