CRÍTICAS ESTREIAS

Crônica da Demolição: De volta ao Rio esplendoroso

O documentário de Eduardo Ades é sobre a demolição da antiga sede do Senado Federal no Rio de Janeiro, o Palácio Monroe. Um painel muito bem estruturado desvenda as razões obscuras que selaram sua destruição. Para o grande público, porém, o encanto de Crônica da Demolição é outro.

A preciosa garimpagem de imagens de arquivo, com fotos e filmes, transporta o espectador ao Rio de Janeiro do início do século passado. Impossível ficar impassível diante de tamanha beleza. O foco é a região central, a atual Avenida Rio Branco. A arquitetura da Belle Époque ressurge magnífica, com os casarões arborizados, o bonde empilhado de gente e os transeuntes na maior elegância.

A história do palácio é curiosa. Foi erguido pela primeira vez em 1904, na Exposição Universal de St. Louis, nos Estados Unidos, como o Pavilhão do Brasil. Lá ganhou o primeiro prêmio internacional da arquitetura brasileira. Em 1906 foi reconstruído na Avenida Central no Rio de Janeiro e posteriormente batizado em homenagem ao presidente americano James Monroe.

O melancólico destino desse cartão postal da cidade é analisado por arquitetos renomados como Alex Nicolaeff, Alfredo Britto e Ítalo Campofiorito, assim como o ex-prefeito Cesar Maia, e Humberto Barreto, antigo assessor do presidente Geisel. Os depoimentos são instrutivos, porém convencionais. Não dava para ser muito diferente.

Na medida em que as imagens antigas são transpostas pelas do passado mais recente e, por fim, pela visão do Rio de Janeiro atual, dá vontade de chorar com o choque de realidade e o estrago que fizeram com a cidade maravilhosa. Não resta dúvida de que a construção de Brasília nos anos 50 e a subsequente especulação imobiliária, principalmente durante a ditadura, determinaram o abandono e a descaracterização da antiga capital.

O Palácio Monroe era apelidado de “monstrengo”e “trambolho” pelos defensores da demolição. O documentário revela que, na verdade, a imponente construção era apenas a ponta de um iceberg chamado “jogo de poder”.

Nota: Estreia nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre

Cotação: ****

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