CRÍTICAS ESTREIAS

Deixe a Luz do Sol Entrar: De mulher para mulher

Ouvi suspiros impacientes do público masculino na exibiçao de Deixe a Luz do Sol entrar para a imprensa. Sem ser sexista, o novo filme de Claire Denis (Minha Terra, África) é tão imerso no universo feminino que não espanta que a personagem de Juliette Binoche provoque tédio, ou mesmo irritação, nos homens.

A parisiense Isabelle é chorosa, frágil, carente, o oposto da postura modelo em tempos de Mulher-Maravilha e #TimesUp. Mas observe que ela é também uma artista plástica renomada, divorciada, independente, mãe de uma garotinha e especialmente atraente aos homens. Isabelle só quer ser amada – e quem não quer? -, porém ela própria tem dificuldade de amar.

A personagem é de uma complexidade rara, que toca fundo principalmente nas mulheres mais maduras que já enterraram a fantasia do príncipe encantado, mas não desistiram do amor.  A diretora e corroteirista Claire Denis se baseia no romance Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, e escala participações estelares em papéis mínimos, mas em cenas cruciais.

Um filme assim, papo reto com seu público alvo, precisava de uma protagonista que cativasse sem ser particularmente admirável. Aos 54 anos, Juliette Binoche está um assombro de linda. Sensual, natural, impressionante. Sua Isabelle é um hipnotizante redemoinho de mulher.

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