CRÍTICAS ESTREIAS

Deserto e Depois Daquela Montanha: Lutas pela sobrevivência

DESERTO

Estreou há pouco uma produção nacional de mesmo nome, sobre artistas circences no sertão. O deserto do filme estrelado por Gael García Bernal é outro. Fica na fronteira entre Estados Unidos e México e será a passagem de um grupo de mexicanos que tenta imigrar ilegalmente. Quem comanda essa travessia é o cineasta mexicano Jonás Cuarón, filho de Alfonso Cuarón e parceiro do pai no roteiro do premiadíssimo Gravidade. O ritmo aqui é de thriller, escorado na figura de Jeffrey Dean Morgan, o americano racista que caça os mexicanos e os abate como animais.

O grande acerto do roteiro, coescrito pelo diretor, é não apelar a psicologismos que justifiquem a xenofobia do vilão. Não é trauma de infância nem drama familiar, é ódio puro e ponto final. Essa frieza corrobora seus atos absurdos e deixa o espectador pregado na cadeira, porque, claro, o astro mexicano Bernal será seu antagonista na luta pela sobrevivência nesse cenário inóspito. Um duelo dos bons!

DEPOIS DAQUELA MONTANHA

O público americano não se animou muito com Depois da Montanha. Vamos ser justos, não fosse Kate Winslet e Idris Elba como a dupla central, não haveria muito como salvar essa convencional história de sobrevivência. Dois estranhos – e um cachorro – sobrevivem a um acidente aéreo no topo de uma montanha nevada. Sob temperaturas congelantes e outros obstáculos, eles tentam descer, achar ajuda e ainda entender o amor que nasce nesse processo.

Diretor do premiado Paradise Now e do recente O Ídolo, Hany Abu-Assad deposita todas as suas fichas nos astros, que fazem o que podem com um texto fraco. O branco ofuscante da neve é um plus na ambientação, um contraponto interessante na medida em que a relação da dupla começa a esquentar. Na cena final, porém, Kate dá um suspiro que vale o filme inteiro.

 

 

 

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