CRÍTICAS ESTREIAS

Despedida em Grande Estilo – Amoral da história

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A onda de remakes continua quebrando e as refilmagens em Hollywood incomodam muita gente. Além de apontar uma certa “preguiça”, o pior é sinalizar uma possível falta de roteiros originais. Será?!? O fato é que o recurso se tornou uma espécie de bengala dos realizadores, mas a momentânea boa notícia é que esse “novo” Despedida em Grande Estilo, com seus idosos protagonistas, não tropeçou e entretém do começo ao fim.

despedida em grande estilo going style 2017 2Na história, três amigos de longa data curtem a terceira idade e uma vidinha rotineira com os minguados proventos da aposentadoria, fruto de décadas de trabalho em uma mesma empresa. O rumo de suas vidas ganha contornos de aventura quando a economia mundial força a companhia a provocar mudanças, entre elas, deixar de pagá-los. Preocupados com os compromissos, a ideia de roubar um banco (esse grande vilão) se torna uma “última missão” para eles, não importando o resultado final.

despedida em grande estilo going style 2017 2Refilmagem de Going Style, comédia de 1979 que rendeu um prêmio em Veneza pela atuação do trio George Burns, Art Carney, Lee Strasberg, essa versão de 2017 pode não conquistar prêmios, mas dará ao espectador a sensação de ser premiado pela trama temperada com nonsense que gera divertimento. Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin revelam a famosa boa química em cena, luxuosamente auxiliados pela bela Ann-Margret, Christopher Lloyd (hilário), Matt Dillon e os mais atentos reconhecerão o comediante Kenan Thompson, da popular série juvenil Kenan & Kel (1996-2000).

despedida em grande estilo going style 2017 2Conhecido pelos fãs de séries por ter protagonizado Scrubs (2007-2009), Zach Braff também produz e como diretor foi premiado com o longa de estreia Hora de Voltar (Garden State/2004). Neste terceiro, Braff conduziu bem o elenco de veteranos (Freeman e Caine repetem parceria) e soube tirar proveito do bom roteiro de Theodore Melfi, indicado ao Oscar por Estrelas Além do Tempo (2016) e já premiado por Um Santo Vizinho (2014). Melfi manteve ritmo, fez citações bacanas (como o grupo Rat Pack), conseguiu “quebrar” a impressão de um desfecho previsível – mais de uma vez – e abordou, de maneira leve e inteligente, temas relevantes como a doação de órgãos, os efeitos da globalização, a questão das drogas, aposentadoria, o prazeroso sexo na velhice e, claro, o imenso valor da amizade.

despedida em grande estilo going style 2017Para os cinéfilos que lembraram do recente Última Viagem a Vegas (2013), com quatro veteranos famosos (Freeman também estava lá) encarnando coroas que chutam o balde, este trio da melhor idade de agora chutou de trivela e a bola não bateu na trave. Assim, pode soar estranho em tempos (chatos) do politicamente correto você considerar correta a atitude dos criminosos e a respectiva moral da história. Mas não se condene por torcer por eles e ser também mais um amoral da história.

Cotação:

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