CRÍTICAS ESTREIAS

Dois franceses imperdíveis: Custódia e Nos Vemos no Paraíso

CUSTÓDIA

Premiado em Veneza com o Leão de Prata de melhor direção, Custódia marca a estreia de Xavier Legrand na direção de longas. Na história, Myriam e Antoine dividem a guarda do filho depois do divórcio. Refém de um pai ciumento e violento, e escudo da mãe, o garoto é levado ao limite para evitar que o pior aconteça. A tensão narrativa construída por Legrand permanece do começo ao fim nesse drama que retrata situações de uma relação abusiva. Custódia narra pesadelos vividos diariamente por milhares de mulheres e aborda temas necessários para discussão, como a violência doméstica. Com uma direção impecável, o espectador adentra em uma trama dilaceradora que mostra com veracidade uma cruel realidade. VITOR BÚRIGO

NOS VEMOS NO PARAÍSO

Foram cinco prêmios César 2018 – direção, roteiro adaptado, fotografia, figurino e desenho de produção, merecido reconhecimento para a superprodução do veterano estúdio Gaumont. Os louros vão para Albert Dupontel (Uma Juíza sem Juízo), que assinou a direção, estrelou, adaptou o romance homônimo de Pierre Lemaître, vencedor do prêmio Goncourt 2013, e reuniu um elenco irretocável.  Requintado e esplendoroso exercício de cinema, o filme detém-se na comovente história do humilde contador Albert (Dupontel) e do talentoso jovem pintor Edouard (Nahuel Pérez Biscayart, de 120 Batimentos por Minuto), que se salvam mutuamente nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, num combate forçado por um sanguinário tenente. Edouard fica desfigurado e mudo, mas usa sua arte para garantir a sobrevivência da dupla por meios escusos. Na exuberante Paris dos anos 1920, Dupontel faz uma crítica pungente às guerras e aos que se aproveitam dela, num registro às vezes burlesco, às vezes dramático, nunca indiferente. FÁTIMA GIGLIOTTI

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