CRÍTICAS ESTREIAS

Duas visões arrasadoras do atentado de 2011 na Noruega

Em 22 de Julho de 2011, o norueguês Anders Behring Breivik executou dois ataques terroristas em menos duas horas. Enquanto um carro bomba explodia na sede do governo em Oslo, matando 8 pessoas, o supremacista de extrema direita se dirigia até a ilha de Utøya, a 40 quilômetros, onde crianças e adolescentes participavam de um acampamento de férias promovido pelo Partido Trabalhista. Ali, o lobo solitário matou mais 69. O horror.

Acabam de estrear duas visões diferentes e complementares da tragédia. Ambas imperdíveis. Em cartaz nos cinemas, Utøya – 22 de Julho é um enervante plano-sequência que acompanha a jovem Kaja (Andrea Berntzen) tentando achar sua irmã mais nova Emilie (Elli Rhiannon Müller Osbourne). A partir do primeiro tiro, são pouco mais de 70 minutos sem respiro.

Com a câmera na mão, o diretor Erik Poppe (Mil Vezes Boa Noite) coloca o espectador na floresta ao redor do acampamento, junto com Kaja e os outros jovens que correm desesperados em busca de algum esconderijo. É uma atordoante jornada sensorial, com doses cavalares de humanidade e sofrimento.

Enquanto isso na Netflix, o cineasta Paul Greengrass lança seu olhar analítico (mas nem por isso menos pungente) em 22 de Julho. Greengrass é famoso por dirigir a franquia Jason Bourne, mas são as reconstituições históricas que fez em Domingo Sangrento (2002) e Voo United 93 (2006) que ressoam nessa produção também perturbadora, e mais abrangente da ação do terrorista.

Em estilo documental, a primeira etapa cobre do preparo das bombas até a concretização do duplo atentado. No segundo momento, o foco se desmembra em três: a relação entre Breivik e seu advogado, o drama de uma família durante a recuperação de um dos sobreviventes do massacre em Utøya, e a investigação empreendida pelo governo norueguês acerca das falhas de segurança que poderiam ter minimizado a tragédia.

Um dos mais promissores atores noruegueses da nova geração, Anders Danielsen Lie (A Noite Devorou o Mundo) está magnético na pele do matador, orgulhoso de toda a sua sordidez. É através dessa encarnação do mal que Greengrass estende o alerta contra a cultura bélica, extremista e xenófoba que tem deixado rastros de sangue muito além da fronteira norueguesa.

 

 

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