CRÍTICAS FESTIVAIS

Eduardo Galeano Vagamundo: Observar e/é refletir

O que fazer diante da obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano? Diante da densidade de seus textos, a pergunta se agiganta. A resposta encontrada pelo diretor Felipe Nepomuceno (Sangue Latino) foi apenas contemplar a genialidade do objeto de estudo do documentário Eduardo Galeno Vagamundo. E foi isso que ele levou à tela do Cine Ceará 2018.

Os textos de Galeano são marcados por uma mistura envolvente de sucinto com profundo. Em poucas frases ou em histórias aparentemente banais, ele consegue injetar reflexões universais sobre a natureza humana. Essas potências literárias são impressas na tela na forma de tempos dilatados, com longos respiros em cenas contemplativas, momentos para se absorver o conteúdo de seus contos.

Nas cenas do documentário, homens famosos e respeitados são convocados para ler algumas faz obras de Eduardo Galeano. Para não estragar as surpresas, basta dizer que temos atores, pensadores e outros porta-vozes ilustres na composição do elenco do filme. No trailer abaixo, eles são anunciados a quem tiver mais curiosidade e menos restrições a spoilers.

Finalmente, o homem Eduardo Galeano também dá o ar da sua graça. Seus depoimentos são dados de forma coloquial, mas poderiam ser transformados em versos profundos. Através desses relatos quase displicentes, sentimo-nos conectados com as engrenagens mentais de um gênio – o que por si só já é um grande feito cinematográfico.

Cotação: ****

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