CRÍTICAS ESTREIAS

Entre Idas e Vindas: Uma viagem amorosa

As produções mais evidentes do cinema brasileiro estão concentradas em dois tipos de filmes. Há os blockbusters, majoritariamente cômicos, que levam milhões às bilheterias. E há os chamados “filmes de arte”, que são vistos em festivais nacionais e internacionais, mas que fazem poucos milhares de espectadores quando são colocados em cartaz. Para o funcionamento pleno da indústria criativa, nos últimos tempos tem sido mais frequente o lançamento de filmes médios, que por muitos anos foi o elo perdido do nosso cinema. Entre Idas e Vindas é um desses casos.

O road movie parte do encontro entre os passageiros de um carro quebrado no meio da estrada que pegam carona em um motor home. O menino Benedito (João Assunção) passa férias com o pai Afonso (Fábio Assunção, de Totalmente Inocentes), um homem apegado ao passado que ainda dirige um Lada. Por causa das condições e da idade avançado do automóvel, a dupla é obrigada a seguir viagem em um motor home tripulado por quatro mulheres.

Na direção do veículo está Amanda (Ingrid Guimarães, de Loucas pra Casar), supervisora de um centro de telemarketing. Ela se encanta por Afonso e o caso entre os dois é o núcleo do roteiro. Ela é goiana, ele é gaúcho, ambos moram em São Paulo, mas por um desses acasos mágicos que o cinema brasileiro proporciona, os personagens falam com sotaque carioca.

Amanda viaja com colegas de trabalho mais jovens, no que deveria ser a despedida de solteira de Sandra (Alice Braga, de Rainha do Sul). A noiva está indecisa, pois descobriu uma traição de seu noivo. Há ainda um outro encontro amoroso em Entre Idas e Vindas, uma vez que Benedito se apaixona pela tímida e romântica Krisse (Rosanne Mulholland, de Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina), apesar da diferença de idade entre eles.

Completa o grupo Cillie (Caroline Abras, de Sangue Azul), uma personagem sem profundidade dramática. A moça parece estar em cena para fazem companhia às demais, como quando se escala um jogador apenas para fazer número.

Mesmo com pequenas falhas, o longa segue com tranquilidade e sabe dosar as cenas com pitadas de humor para temperar os transtornos dos personagens. Trata-se de um filme sem grandes pretensões, apenas para contar histórias de amor. Há muito que não se vê a pujança que o diretor José Eduardo Belmonte (O Gorila) demonstrava no começo da carreira, como Se Nada mais Der Certo (2008) e Meu Mundo em Perigo (2007). Por outro lado, o novo filme está milhas adiante de Billi Pig (2012), seu trabalho mais problemático.

O desfecho é entregue com a leveza que o tom do longa demanda e até parece final de novela. Há algumas escolhas questionáveis nesse ponto da trama, com elementos machistas na decisão de alguns personagens, mas na maioria dos conflitos o saldo é positivo.

Cotação: ** ½

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