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Estreia hoje a série nacional Outros Tempos Jovens

Novos estudos definem como jovem as pessoas entre 15 aos 29 anos, uma fase bem mais longa do que o considerado em décadas anteriores, o que abre um leque muito maior de opções, comportamentos e modos de pensar.

Para abranger tamanha diversidade em oito episódios, a produção de Outros Tempos Jovens, sequência de Outros Tempos Velhos, estabeleceu parâmetros diversos da temporada anterior, que focalizou a vida de pessoas acima dos 60 anos. O resultado foi uma segunda temporada que tem vida independente, embora complemente a visão abrangente do que é ser uma pessoa na fase da vida focalizada pela série.

“Tratar de jovens é bem mais complexo, mais difícil e mais diverso”, explica Giuliano Cedroni, diretor geral ao lado de Caito Ortiz durante o lançamento da série coproduzida pela Pródigo Films. Complexidade que norteou os critérios de escolha dos personagens e a entrega de cada episódio a um diretor diferente, dando a cada tema um olhar adequado e diverso do necessário a outro capítulo. Psicólogos e especialistas também acompanharam a produção, embora não apareçam em cena, orientando sobre o grau de exposição e a capacidade dos entrevistados de verem suas histórias na tela. Em alguns casos, os próprios retratados filmaram seus depoimentos, garantindo um maior grau de privacidade. O resultado é uma sequência de episódios que desnudam desejos, ideias e sentimentos onde os entrevistados vão além do simples contar de suas histórias acompanhadas por uma trilha sonora que merece destaque.

Créditos Manoela Chiabai

A série começa com um fenômeno só possível na era da Internet, o uso de aplicativos de encontro em Digital Dating. Selecionados entre “heavy users”, os personagens revelam uma gama de personalidades que busca representar tanto faixas etárias diversas como também diferentes relacionamentos com os aplicativos, indo de quem busca apenas sexo a quem procura um romance no sentido clássico. O resultado surpreendeu a equipe de produção, que esperava um episódio cheio de sexo e recebeu uma coletânea onde o sentimento mais forte é a solidão. Para o diretor, o uso de aplicativos “já está mudando a maneira como a gente está se relacionando com amor e com sexo radicalmente”. Alterar a forma, no entanto, não está alterando o conteúdo. Gravados no ambiente neutro e impessoal de um mesmo quarto de hotel, os depoimentos escancaram o que há de mais tradicional no uso do mais moderno, a busca por uma conexão com outro ser humano, de preferência permanente, mesmo quando as palavras dizem que tudo vai bem e saltar de uma cama a outra é tudo de bom.

A produção segue com feminismo, identidade, ativismo, sucesso, saída da casa dos pais e casamento, incluindo no quinto episódio o tema sem dúvida mais complexo da lista, suicídio.  “É um grande tabu, o suicídio no Brasil. Existia inclusive um embargo, eu que vim de redação de jornalismo impresso, existia um embargo antigamente para não falar sobre isso”, esclarece Cedroni.  No episódio, quatro pessoas que já tentaram tirar as próprias vidas tentam ajudar a entender o pensamento suicida. Uma ida corajosa a um lugar que gostaríamos que não existisse e que como nos demais temas, permite ao público reconhecer-se parte ou em todo em algum dos personagens, mesmo para quem está fora da faixa etária retratada. Será interessante ver se a equipe volta seus olhos agora para o espaço entre Outros Tempos Jovens e Outros Tempos Velhos.

Estreia canal Max, 24/5, 23h

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