CRÍTICAS ESTREIAS

Eu, Tonya e Lady Bird – A Hora de Voar: Mamãezinhas queridas…….

Eu, Tonya

No mundo da patinação artística, o Axle é um salto que se dá apenas com um pé tocando o gelo e o movimento do corpo faz o patinador decolar. Em 1991, Tonya Harding se tornou a primeira americana a executá-lo, mas entrou para a história por um dos maiores escândalos do esporte: a acusação de ser mentora do ataque à sua rival, Nancy Kerrigan.

Eu, Tonya é uma história estarrecedora não pela sabotagem em si, mas pela trajetória, no mínimo, disfuncional de Tonya. O roteirista Steven Rogers (Lado a Lado) entrevistou Tonya e o ex marido, Jeff (também envolvido no caso), e os pontos de vista só batiam em um quesito: o monstro que era LaVona, a mãe de Tonya. Essa dupla perspectiva dá sabor ao roteiro, que cobre desde a infância da patinadora até o julgamento.

É uma visão bem distinta da divulgada pela mídia na época. O diretor Graig Gillespie (Horas Decisivas) uniu Margot Robbie, Sebastian Stan e Allison Janney e arrancou a melhor atuação de suas carreiras (as duas concorrem ao Oscar, de atriz e coadjuvante). Mais: conta uma história envolvente, de alta voltagem dramática e com o atrativo de ser real. SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

Lady Bird – A Hora de Voar

Em seu filme de estreia solo como cineasta, a atriz Greta Gerwig (Frances Ha, Jackie) já está voando alto, com cinco indicações ao Oscar, inclusive melhor filme, roteiro e direção. Seu longa sobre uma adolescente vivendo numa região de classe média baixa em Sacramento, que não se encaixa nos padrões e sonha morar em Nova York pode parecer mais um sobre a transição para a vida adulta, mas Greta acerta a mão no naturalismo das cenas, coisa sempre difícil de alcançar.

Isso fica especialmente evidente na difícil relação entre Christine (Saoirse Ronan, excelente, concorre ao Oscar), que prefere ser chamada de Lady Bird, e sua mãe durona, Marion (Laurie Metcalf, indicada ao Oscar de coadjuvante), que muda de registro a todo momento, da discussão ao carinho. Ao contrário da mãe interpretada por Allison Janney em Eu, Tonya, Marion foge da caricatura.

O elenco de apoio é igualmente bom, especialmente Tracy Letts como o pai desempregado, Lucas Hedges como o “crush” do colégio, e Beanie Feldstein (irmã de Jonah Hill) como a melhor amiga Julie. Por mais que Lady Bird, cujo roteiro também foi escrito por Greta Gerwig, tenha seus problemas, ele revela uma cineasta promissora, uma voz feminina mais que necessária num campo dominado por homens. MARIANE MORISAWA

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