CRÍTICAS ESTREIAS

Fala Comigo: Amor ou terapia?

Grande vencedor do Festival do Rio, Fala Comigo é um drama familiar nos moldes dos filmes de Anna Muylaert, em especial Que Horas Ela Volta?, com sua abordagem do preconceito. Na trama escrita e dirigida pelo estreante Felipe Sholl, o adolescente Diogo (Tom Karabachian) se masturba ao passar trote nas pacientes de sua mãe (Denise Fraga), que é psicóloga. Mas uma delas, Angela (Karine Teles), lhe chama a atenção por achar que é o marido que a abandonou que está mudo do outro lado da linha. Para encurtar a história, o garoto começa um romance com essa mulher de seus 40 anos.

O cineasta usa a relação para desconstruir e erguer preconceitos. Se para os amantes o namoro flui naturalmente, a circunstância causa estranhamento entre os amigos dele e se torna uma celeuma em casa quando a mãe descobre. Do outro lado da tela, a plateia é forçada a rever os próprios valores. Será que a situação seria tão incômoda se o paciente fosse um homem mais velho que se apaixonasse pela filha da psicóloga?

Também é verdade, porém, que os sentimentos estão todos descompensados. Diogo está no auge da adolescência, na fase de descobertas e experimentações. Angela pode bem ser mais uma cobaia desse momento. Ela própria está em depressão e o jovem lhe serve de antídoto para a carência e a baixa autoestima. E ainda tem a crise no casamento dos pais de Diogo, que cria mais um foco de desgaste.

É um universo frágil que se tem em cena. O diretor abre diversos caminhos para o público compreender e sentir essa história. E todos eles são autênticos.

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