CRÍTICAS

Flocking

flocking

Um bom filme de suspense precisa necessariamente premiar o espectador com um ou outro susto? É provável que a resposta mais comum para essa pergunta seja um sonoro sim. Afinal, quando bem inseridos na trama, o resultado é indiscutível. Por outro lado, existem títulos que conseguem manter o público preso na poltrona sem fazer uso desse recurso, como aconteceu com o multipremiado A Caça (2012), (ótima) coprodução entre Dinamarca e Suécia. Flocking foi uma boa surpresa na Mostra SP 2015, também é sueco e não nega suas origens, reproduzindo aquela aura de histeria coletiva, com algumas diferenças e um resultado igualmente bom.

flockingEnquanto o longa consagrado tinha na “vítima” a figura de um adulto, vivido por um ator conhecido (Mads Mikkelsen), esse de agora foca suas atenções em uma adolescente (bem) interpretada por uma atriz estreante. A história baseada em fatos reais se passa em uma pequena cidade do interior da Suécia. Ela acompanha os dias que se sucederam após a jovem Jennifer (Fatime Azemi) denunciar que tinha sido estuprada por um amigo da escola e os moradores da região, simplesmente, se recusaram a acreditar. Para completar o absurdo, a própria Justiça tratou o caso de maneira tendenciosa e no fim das contas quem acabou “condenada por todos” foi a própria vítima, ao lado da irmã mais nova e da mãe.

flocking-flockenSegundo longa da cineasta sueca Beata Gårdeler, experiente em TV, o roteiro estabelece a tensão de forma menos rebuscada que o já citado sucesso, mas igualmente eficaz. Com um elenco de desconhecidos bastante coeso e uma crescente atmosfera opressiva, um dos grandes diferenciais que confere uma atualidade à obra é a inclusão das redes sociais na trama e na tela, através da troca de mensagens e ódio (anônimo), espelhando o que já acontece fora da ficção. Premiado no Festival de Berlim, Flocken (título original) ainda não tem distribuição no Brasil, mas merece a sua atenção.

(Cotação: ♦♦♦♦◊)

Publicidade

Deixe o seu Comentário