CRÍTICAS ESTREIAS

A Garota na Névoa: Sumiço de jovem movimenta thriller italiano

Um dia, Anna Lou saiu de casa para ir a um encontro de sua irmandade religiosa. Trezentos metros depois de iniciar sua caminhada, seu celular foi desligado e ela jamais chegou à reunião. Como esperado, o desaparecimento da adolescente sacode a pequena vila onde ela mora, nos Alpes italianos, um ponto turísco agora decadente. Enviado para investigar, o detetive Vogel (Toni Servillo, de A Grande Beleza) logo desconfia que Anna Lou foi levada por alguém que conhecia.

Baseado em seu próprio livro, Donato Carrisi estreia como diretor e mostra domínio dos signos do suspense policial, em especial o noir escandinavo que tem feito tanto sucesso com suas histórias cheias de atmosfera. Estão ali o mistério, o adolescente isolado do grupo, fanáticos religiosos, a comunidade de suspeitos, o cenário invernal, o advogado inescrupuloso, a polícia local incompetente, a jornalista em busca de um grande furo, o recém-chegado à cidade e o detetive imperfeito.

Verdadeiro centro da trama, Vogel é um profissional eficiente, p0rém nada ortodoxo, que aprendeu a usar a imprensa como recurso de investigação e autodivulgação.  Assim como o livro que deu origem ao roteiro, a linha temporal de A Garota na Névoa não é linear, com flashbacks e enredos paralelos inseridos a cada instante, entrecortados pela imagem de uma maquete da cidadezinha alpina, que inclusive faz referência a O Grande Hotel Budapeste. Fargo e Twin Peaks também não estão longe na lista de influências do longa.

A multiplicidade de enredos, passeios temporais e reviravoltas não garantem um ritmo vertiginoso, pelo contrário. A Garota da Névoa se arrasta em diversos momentos, mas Toni Servillo faz um grande trabalho como Vogel. Jean Reno também está no elenco.

O circo midiático em torno do maior suspeito também merece atenção ao explorar a voracidade do público pelo sórdido e pela necessidade de um culpado. É um bom thriller, que ganharia pontos com uma edição mais ágil e um roteiro mais focado e menos mirabolante.

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