CRÍTICAS ESTREIAS

Hereditário: Muito medo!

Annie, a personagem belamente interpretada por Toni Collette, trabalha com miniaturas e maquetes por encomenda. Para si, gosta de recriar cenas cotidianas, como a que abre o filme, com o marido, Steve (Gabriel Byrne), acordando o filho adolescente, Peter (Steve Wolff). O casal tem ainda Charlie (Milly Shapiro), uma garota estranha, retraída, e a mais abalada pela recente morte da avó, com quem era grudada.

Esse cenário de luto ganha ares sobrenaturais pelas visões que a neta tem da matriarca, uma mulher controladora que deixou um legado de traumas em Annie. A protagonista  também sente a presença da mãe e, claro, monta a cena em miniatura. Essas recriações tornam-se ainda mais macabras quando a família é assolada por uma tragédia, quando o foco passa então a recair sobre o filho Peter.

O diretor e roteirista estreante Ari Aster se debruça sobre essa estrutura disfuncional para erguer um suspense enervante, em que o espectador nunca está certo se o que acontece é fruto do desequilíbrio mental de Annie ou fenômenos paranormais. Dá MUITO medo.

O grande desafio de um filme como Hereditário é juntar (ou não) as peças do bizarro quebra-cabeça. O que o cineasta faz na etapa final, porém, é retirar a névoa que embriagava o espectador para promover uma sessão de puro pastiche de filmes do gênero. O que era brutalmente assustador, se torna constrangedor. Foi quase ótimo.

 

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