CRÍTICAS ESTREIAS

Homem-Aranha – De Volta ao Lar: Melhor que a expectativa

Confesso que estava temerosa com Homem-Aranha: De Volta ao Lar depois de assistir aos trailers, que pareciam contar o filme inteiro. Mas deu tudo MUITO certo na sexta aventura do personagem na telona. A trilogia com Tobey Maguire e os dois filmes com Andrew Garfield se encarregaram de contar a origem do herói. A picada do aracnídeo, a descoberta dos efeitos sobrenaturais, o assassinato do tio, a culpa, os cuidados com a tia e, mais importante, a responsabilidade de possuir superpoderes. Águas passadas.

A retrospectiva dessa vez é cortesia do próprio Homem-Aranha, que registrou em câmera e postou no YouTube sua façanha ao lado do time do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) em Capitão América: Guerra Civil. Deslumbrado por ter feito parte de um confronto épico entre os Vingadores, ele não esconde a ansiedade pela próxima missão. Só que o chamado não vem. Tony Stark vai cuidar da vida e deixa o novato a cargo do motorista, Happy (Jon Favreau), que o controla de longe e ouve a narrativa de seus feitos corriqueiros sem entusiasmo. A solução é, então, retomar a rotina de estudante, paciência.

Só que paciência é justamente o que não existe no universo de um adolescente de 15 anos, assim como a palavra “não”. Peter Parker é proibido de agir sem prestar contas. Mas fala “não” para alguém dessa idade. A negativa só faz estimular esse ser hormonal a peitar e fazer as coisas do seu jeito (e aqui falo com conhecimento de causa). O que significa, claro, que o inexperiente e inconsequente Homem-Aranha vai se meter em encrenca. E ela se chama Abutre.

Ninguém melhor que Michael Keaton para ser esse vilão com asas metálicas (olha a ironia com o personagem do ator em Birdman). Se o Homem-Aranha tem de descer do salto alto e se contentar em ser apenas Peter Parker, o Abutre é também um ser mundano, um homem comum, pai de família. Adrian Toomes é mais uma vítima do sistema injusto que “quebrou” sua firma de obras. Ele tem feito dinheiro com o contrabando de peças alienígenas que sobraram da batalha do primeiro Vingadores.

Esse realismo injeta humanidade em De Volta ao Lar. Herói e vilão são seres multidimensionais. Não há bem e mal, apenas pessoas lidando com os próprios problemas, nem sempre pelos caminhos mais fáceis e nem corretos. O enredo escapa da armadilha maniqueísta e aproxima o público desses antagonistas gente como a gente.

E agora: Tom Holland. O garotinho que me fez soluçar ao assistir a O Impossível é o mais jovem intérprete do Homem-Aranha. Tem 21 anos (Maguire tinha 27 e Garfield, 29), mas passa fácil por 15 anos. Como mostrou na recente visita ao Brasil, guarda o mesmo deslumbramento de seu personagem. Está curtindo ao máximo fazer parte do universo Marvel nos cinemas, e talvez não tenha plena noção do tamanho do negócio em que se meteu.

De Volta ao Lar é essencialmente jovem, não há a pitada existencialista dos anteriores e sim o espírito impulsivo e tresloucado dessa fase da vida. Até o romance é mais pueril do que nos outros filmes da franquia. E, na verdade, a paquera com Liz (Laura Harrier, sem graça..) solta menos faísca que o olhar de Michelle (Zendaya, essa é boa…), a colega rebelde, arisca e sutilmente obcecada por Peter Parker.

Em tempo: repare na saborosa homenagem ao clássico juvenil Curtindo a Vida Adoidado e não saia do cinema antes dos créditos finais. Há duas cenas extras e a última não pode ser mais apropriada.

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