CRÍTICAS ESTREIAS

Indicado ao Oscar: Visages, Villages é um encanto

Que coisa mais linda é Visages, Villages. Eleito melhor documentário na Mostra SP , vencedor do Olho de Ouro no Festival de Cannes e agora indicado ao Oscar. E tem mais estatueta: em novembro passado, a codiretora Àgnes Varda, pioneira da Nouvelle Vague, se tornou a primeira cineasta mulher a ganhar um Oscar honorário pelo conjunto da obra.

Visages, Villages reúne Agnès e JR atrás e à frente das câmeras. A artista de 89 anos cai na estrada com o fotógrafo de 34, que tem criado galerias ao ar livre. Não há engajamento político nessa viagem poética em que a dupla cruza a França de Norte a Sul, aberta ao acaso e com um propósito: visitar vilarejos, ver paisagens e, principalmente, conhecer seus habitantes.

O caminhão de JR tem uma cabine fotográfica na traseira, onde ele clica seus personagens e imprime imagens em tamanho gigante, para então fazer colagens incríveis em muros, galpões, caixas de água e até nos restos de um bunker da Segunda Guerra. Mignon e cheia de disposição, Agnès vê o registro no papel como saída para o vazio da memória, que já está falha.

Fotos antigas também ganham espaço e através delas a diretora olha para o passado. O cuidado de JR com ela é comovente. A amizade entre esses dois apaixonados pela imagem é daquelas boas surpresas da vida. E o registro de suas conversas ao fim das tardes tem mais valor histórico e emocional do que a concepção das fotos gigantescas que dão liga ao documentário.

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