CRÍTICAS ESTREIAS

Invisível: Sem afetações ou afetos

Ely é uma jovem com uma vida banal, que divide seu tempo entre a escola e o trabalho em um pet shop. Ela terá de lidar com uma gravidez não-planejada, um conflito que Invisível demora quinze minutos para anunciar, um sexto do filme dedicado apenas para mostrar a trivialidade de sua protagonista. Tal escolha dita o ritmo vagaroso no qual o roteiro avança e intensifica a repentina mudança na situação da moça.

Por se debruçar sobre personagens nada extraordinários, o longa evita qualquer tipo de afetação estética. Não há movimentos de câmera grandiosos ou enquadramentos inventivos. A massa sonora é preenchida por programas televisivos ou noticiário de rádio com conteúdo desinteressante, em sintonia com a proposta que universaliza os dramas apresentados.

Da mesma forma como a protagonista é um ser invisível, conforme anunciado pelo título, os afetos entre os personagens também são difíceis de sentir. A amiga que acompanha Ely na jornada em busca de um aborto é o ser mais carinhoso em cena. Do resto, muita frieza. A gravidez é fruto de uma relação na qual não se percebe sinais de amor. E a mãe da protagonista passa os dias em casa, em um quadro depressivo.

Invisível aposta em uma receita de difícil digestão, mas que faz sentido. Ao mesmo tempo em que a história poderia acontecer com alguma pessoa próxima ao espectador, o filme não faz esforços para intensificar a experiência de assisti-la. Nem o desfecho escapa dessa toada.

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