CRÍTICAS FESTIVAIS

Irmãos da Noite: Uma defesa constante da masculinidade

É triste e comum que muitas imigrantes se vejam obrigadas a apelar para a prostituição para sobreviverem em uma nova terra. O longa Irmãos da Noite toca nesse assunto, mas com personagens do sexo masculino.

O filme se passa em Viena e mostra um grupo de ciganos búlgaros que vendem seus corpos em bares. Em suas falas para o documentário, eles não hesitam em dar detalhes das noites em que trabalharam e dos homens a quem atenderam – com destaque para o uso da caminha, em uma medida sanitária essencial. Outra preocupação nos depoimentos é destacar a prática de apenas sexo ativo com os clientes, um começo da constante reafirmação de suas masculinidades que pauta o filme.

Essa conduta se evidencia na citação constante de suas esposas, ou de mulheres com quem se relacionam na Áustria. A afirmação heterossexual também se dá nos hábitos e vaidades dos personagens, que sempre se apresentam másculos e agressivos, posam para fotos ao lado de automóveis esportivos e praticam sinuca no local de trabalho.

Irmãos da Noite é ciente das vulnerabilidades de seus depoentes, mas não os trata com pena. Essa característica é assumida, mas apenas compõe o cenário social e psicológico do documentário. Por outro lado, as limitações dos personagens e da proposta do filme esgotam o assunto rapidamente, o que deixa algumas redundâncias do meio para o final.

Em uma busca por imagens mais variadas, o longa traz passagens encenadas. Nesse ponto, há irregularidades. Se há momentos de criatividade, permite-se um teor cafona em outras oportunidades, o que é reforçado por uma trilha exagerada.

No final, Irmãos da Noite se salva pela singularidade do seu tema e pela sinceridade no discurso, mas poderia ter ido mais longe.

Cotação: **

Irmãos da Noite faz parte da programação do Olhar de Cinema 2016.

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