CRÍTICAS ESTREIAS

Jacqueline: Um Forrest Gump argelino… e sua vaca

Atualmente, muitas produções hollywoodianas precisam arrumar justificativas para que personagens estrangeiros conversem entre si em inglês e não utilizem sua língua materna. A Incrível Jornada de Jacqueline também passa por esse tipo de adequação, mas em francês. Como a história foi concebida para agradar o “público família”, faz sentido esse esforço.

Fatah (Fatsah Bouyahmed, de A Mentira Tem Perna Curta) é um camponês argelino, que diz a suas filhas sobre a importância de saber francês, idioma no qual fala com sua vaca de estimação – a tal Jacqueline do título. Com isso, reduz-se ao mínimo os diálogos em árabe no começo do filme. O sonho do protagonista é participar da Feira Agrícola de Paris e, após anos de tentativas, finalmente consegue um convite para exibir sua vaca no evento.

Depois de alguma deliberação, com humor étnico sem apelação, a aldeia onde ele mora arrecada dinheiro para que Fatah consiga cruzar o Mediterrâneo, mas o resto da viagem será feito a pé. Com isso, estabelece-se um road movie rural, com encontros interessantes onde figuram os maiores nomes do elenco: Lambert Wilson (Suite Francesa) e Jamel Debbouze (Frango com Ameixas).

Até chegar à Cidade Luz, Fatah passará por todo tipo de aventuras, que são acompanhadas por seus conterrâneos através da internet. É por causa desses apuros que ele se torna uma celebridade virtual, assunto de memes e vídeos virais.

Cena do filme A Marcha (2013)

Cena do filme A Marcha (2013)

Assim, A Incrível Jornada de Jacqueline se aproxima de dois longas franceses recentes. Em A Grande Volta (2013), o amor pelo ciclismo leva o protagonista à fama efêmera ao fazer com antecedência e de maneira solitária todo o percurso da Tour de France. Em A Marcha (2013), é o ativismo social em relação ao tratamento de imigrantes que faz os personagens cativarem o povo.

Do outro lado do Atlântico, Fatha se assemelha a Forest Gump pela personalidade inocente e cativante. Por isso, o filme se desobriga a tocar na questão da imigração, algo que seria muito estranho no tom do roteiro. O longa ganha ares de fábula e se conecta com o lado mais doce de cada espectador. De sair do cinema com sorriso nos lábios.

Cotação: ***

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