CRÍTICAS ESTREIAS

Janis: Um pedaço do coração

Cena do filme Janis: Little Girl Blue (2015)

Antes das vocalistas de bandas do calibre de The Pretenders, Garbage ou Hole; havia Janis Joplin para hastear uma bandeira feminina do terreno másculo do rock’n’roll. O documentário Janis: Little Girl Blue segue a ordem cronológica dos fatos para narrar a breve passagem e o extenso legado da cantora texana, ao mesmo tempo em que traça um retrato sentimental e psicológico desse ícone da música.

Para dar suporte ao discurso, há imagens de arquivo, cartas pessoais (lidas pela cantora Cat Power) e depoimentos valiosos de outros músicos, personaldiades do mundo do entretenimento, amigos, parentes e ex-amantes. Tudo isso permite que o longa mostre as facetas artística e intimista de uma figura forte na cena do rock dos anos 1960, em um filme que fará o fã se reaproximar de Janis e encantará que não é muito familiarizado com ela.

A estrutura e proposta de Little Girl Blue o aproximam de outros filmes sobre músicas talentosas. Assim como no brasileiro Cássia (2014), o documentário mostra o lado psicológico da artista, que encontrou nos shows um refúgio para uma inadequação social. Janis se alimentou da idolatria dos fãs para suprir a carência afetiva que a assolava, enquanto Eller era um furacão nos palcos e uma brisa fora deles. O desafio dessas mulheres era enfrentar os demônios que as aguardavam assim que saíam debaixo das luzes dos holofotes, o que foi um fator que as levou para o abuso de drogas.

A outra ligação do filme é com Amy (2015), ganhador do Oscar pouco inventivo. Little Girl Blues sai na dianteira em relação ao filme da cantora britânica, cuja história de vida era escancarada em tabloides e portais de notícias. Assim, não era necessário ser fá de suas canções para saber de sua intimidade. Portanto, há mais segredos em torno de Joplin, que viveu no mundo pré-internet. Por isso, é possível mais descobertas no longa, o que traz frescor para o público.

Em uma nota curiosa, é sabido que Janis Joplin passou um Carnaval no Brasil, durante uma viagem na qual beijou na boca o roqueiro Serguei. A passagem da cantora por terras tupiniquins é registrada no documentário, pois foi por aqui que conheceu um grande amor. No entanto, o encontro com o Seguei não figura nas cenas…

Cotação: *** ½

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