CRÍTICAS ESTREIAS

A Livraria: Amor pelas palavras

A Livraria venceu inúmeros prêmios, inclusive o Goya, o Oscar espanhol. Difícil enxergar motivos para tamanho barulho. Adaptado do romance de Penelope Fitzgerald, o filme é sobre uma viúva, Florence (Emily Mortimer), que decide abrir uma livraria em uma cidadezinha do interior da Inglaterra, no fim dos anos 1950. A população local a recebe com desconfiança, em especial a ricaça Sra. Gamart (Patricia CLarkson, foto abaixo), que pretendia transformar a antiga casa comprada por Florence em um centro de artes, e fica mordida com a intrusa.

O conflito entre elas é morno. A inesperada amizade de Florence com um morador misterioso e recluso, leitor inveterado e vivido pelo sempre excelente Bill Nighy, poderia render um belo filme sobre como o fascínio pelos livros pode aproximar pessoas – Nunca Te Vi, Sempre Te Amei (1987) faz isso com primor.

A diretora Isabel Coixet, também vencedora de troféus pelo trabalho, conduz a história com rédea curta na emoção e o resultado é uma obra contida, sem muito apelo ao grande público.

Mas vamos ser justos. A Livraria é bonito, a fotografia e a direção de arte (o interior da loja é algo) são atrações à parte e o elenco está bem. Florence é firme como mulher solitária que não abre mão dos sonhos diante das dificuldades, e esbanja ousadia ao investir em obras polêmicas, como Lolita, de Nabokov. Mas lhe falta uma energia extra, aquele ímpeto que talvez a aproximasse mais da mulher contemporânea.

 

 

 

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