CRÍTICAS ESTREIAS

Los Territorios: Crítico e autocrítica

A coprodução traz cenas documentais produzidas por um cineasta argentino para retratar alguns conflitos sociais, desde a questão de moradia na periferia de Buenos Aires até o embate entre Israel e Palestina. Desse lado da fronteira, tais temas são abordados por uma miríade de documentaristas brasileiros, a maioria deles meio intelectual e meio de esquerda, que viajam pelo Brasil e pelo mundo em eventos de cinema. Alguns são figuras bem-vistas no meio e, pelas fotos nas redes sociais, parecem levar uma vida maravilhosa.

Por outro lado, longe desse mundo de aparências, esses cineastas, como boa parte de sua geração, estão com as finanças bagunçadas. Um mal que também assola Ivan, protagonista de Los Territorios. Dependem de aportes, editais e malabarismos de orçamentos de produção para se manter cambaleante, com a conta bancária nada estruturada, bem diferente do que foi vivido por seus pais. E muitas vezes esses seres meio intelectuais e meio de esquerda precisam do socorro financeiro dos pais, mesmo já estando com cerca de trinta anos de idade.

Muitos desses realizadores estão mais preocupados com o fazer cinema do que com o mostrar cinema. Assim, colecionam projetos inacabados ou filmes pouco vistos, limitados ao circuito de festivais de cinema, exatamente o cenário no qual são figurões. Como se pode ver, Ivan se aproxima muito desses tipos, o que dá ao filme uma assinatura singular e muito válida: a autocrítica. Filho de um prestigiado jornalista, Ivan parte em viagens a vários lugares em busca de retratar os tais conflitos, em uma jornada freudiana. Do ponto de vista político, ele é mais ativo do que os manifestantes virtuais de timeline, mas ainda assim é uma figura irrelevante perante os problemas sociais que enfrenta em seu filme.

Como muitos filmes feitos pelos Ivans da vida real, Los Territorios borra o limite entre ficção e documentário, o que o insere mais perfeitamente ao mitiê que ele (auto)critica. Os temas abordados são inegavelmente relevantes, mas a carga de personalidade própria ao zombar de si mesmo engrandece o filme. Finalmente, o cuidado em ser atrativo como audiovisual é que faz o longa brilhar, especialmente os grafismos com bandeiras nacionais, que travam bons diálogos com o espectador.

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