CRÍTICAS ESTREIAS

Lucky: A imperdível despedida de Harry Dean Stanton

Harry Dean Stanton não chegou a acompanhar a estreia de Lucky nos cinemas americanos. Morreu poucos dias antes, em 15 de setembro deste ano, aos 91 anos de idade. É mais um motivo para assistir a esse filme-legado, em que o ator fetiche de David Lynch (Império dos Sonhos, Twin Peaks) despede-se da vida com muito mais humor que melancolia.

Quem o dirige é outro Lynch, John Carroll Lynch (não há parentesco), e o leitor já o conhece como ator, mas essa é sua estreia atrás das câmeras. E que sorte a dele por o primeiro passo no filme em que o colega e grande ator Stanton deu o último.

O diretor John Carroll Lynch

Lucky é o nome do protagonista, homem idoso, solitário, morador de uma cidadela desértica. Sua rotina diária começa com exercícios de Yoga, seguida da caminhada e da parada na lanchonete – onde todos o conhecem, claro. Com o cigarro sempre à mão, Lucky segue o passo. O destino final é o bar, ponto de encontro com amigos também nada jovens.

O que esse elenco da terceira idade faz é poesia. E entre eles adivinhe quem está? David Lynch, cheio de estilo, de chapéu e tudo. Seu personagem, Howard, está de luto: seu cágado (não é tartaruga, ele insiste) fugiu. O discurso que Howard faz sobre o “pet” é, na verdade, sobre a longevidade (o animal chega a durar 200 anos).

Lynch e Stanton em cena

O sumido galã James Darren (Os Canhões de Navarone), em grande forma nos seus 80 anos, também está no balcão. É ele quem conta a mesma história inúmeras vezes, para o deleite de todos. O passado parece cada vez mais vívido na mente dessa gente. A consulta médica de Lucky é outro ponto alto. Você vai ver.

Além da presença do amigo Lynch no elenco, há um encontro antológico com Tom Skerritt, parceiro de Stanton em Alien, o Oitavo Passageiro – e lá se vão quase 50 anos. O tema da conversa é a Segunda Guerra e a troca de memórias entre os ex-militares é demais de emocionante. Lucky é feito de pedacinhos preciosos. Pedacinhos de vida de quem viveu bastante, e sabe que o fim se aproxima. Lucky tem medo. E quem não tem?

 

 

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