CRÍTICAS ESTREIAS

Mãe só Há Uma: Uma lição de respeito

No começo do século, o caso do menino Pedrinho, roubado na maternidade pela mulher que o criou como filho, ganhou a mídia. Por isso, o ocorrido já inspirou a novela Senhora do Destino (2004-2005) e uma das histórias do longa O que se Move (2013). Como revisitar o tema e trazer algo novo? O filme Mãe só Há Uma consegue esse feito ao deslocar o ponto de vista para os personagens mais jovens.

Pierre (Naomi Nero) é um adolescente nada interessado em rótulos: relaciona-se com outros garotos e com garotas, pinta as unhas e vestidos fazem parte de seu figurino. Sua vida vira de cabeça para baixo quando é encontrado por seus pais biológicos, de quem foi roubado pela mulher que o criou (Daniela Nefussi, de É Proibido Fumar).

Nessa situação-limite, todos os ânimos e emoções se ressaltam. É nesse cenário dramático frutífero que a diretor Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?) evidencia suas verdadeiras intenções. Visualmente, Pierre é o personagem mais estranho, no entanto, o garoto é o mais lúcido entre todos que estão em cena. No meio de adultos tresloucados, a juventude retratada por Muylaert com honestidade dá exemplo de respeito, apesar da rebeldia inerente a sua faixa etária.

Mãe só Há Uma não foge do diálogo com O que se Move – na verdade, o abraça. Há uma interessante ligação entre os dois títulos quando o garoto vai encontrar seus pais biológicos em uma pizzaria. Nesse momento, é impossível não se lembrar dos paralelismos que evidenciam a mudança de perspectiva no olhar. O filme de Anna foca no jovem, a situação dramática ganha outras cores e forma uma intertextualidade interessante. Quem tiver o privilégio de conferir ambos os longas entrará em contato com uma gama de emoções mais plenas. Fica a dica.

Cotação: ****

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