CRÍTICAS ESTREIAS

Me Chame Pelo Seu Nome: Amor sem fronteiras

Me Chame pelo Seu Nome conseguiu um feito: lançado em janeiro de 2017 no Sundance Festival, permaneceu na cabeça e no coração de quem viu durante o ano inteiro, chegando com força à temporada de premiações. Em seu novo longa-metragem, o italiano Luca Guadagnino (Um Sonho de Amor e Um Mergulho no Passado) recria a confusão e o deleite do primeiro amor, mas, principalmente, recria vida na tela do cinema.

Numa casa na Itália, nos anos 1980, o adolescente americano Elio (Timothée Chalamet) passa o verão com seus pais intelectuais, o professor Perlman (Michael Stuhlbarg) e Annella (Amira Casar), que lê poesia em alemão. Elio sempre está com um livro na mão, ouvindo ou tocando música. Eis que chega Oliver (Armie Hammer), aluno de seu pai, que vem ajudá-lo em sua pesquisa.

 

Elio fica encantado, mas não quer demonstrar, às vezes se irrita e deixa isso bem claro. Elio, óbvio, está se apaixonando por Oliver. Tudo isso é mostrado com grandes atuações: Armie Hammer prova que pode ir bem além do que faria supor sua pinta de galã, e Michael Stuhlbarg aparece pouco até um monólogo perto do final que é uma das melhores coisas do ano no cinema.

Mas o filme é mesmo de Timothée Chalamet, de 21 anos. Ele interpreta com nuances e graça os sentimentos contraditórios do garoto, que passam pelo objeto de sua afeição ser também do sexo masculino, mas não apenas.

Guadagnino claramente não quis fazer uma obra destinada a um nicho. As cenas de sexo são discretas, ainda que o erotismo e a sensualidade sejam forças-motrizes de Me Chame pelo Seu Nome, baseado no romance de André Aciman e com roteiro do veterano James Ivory. O tom, porém, é de normalidade, sempre. Assim, Guadagnino talvez tenha feito um filme mais importante no atual momento conservador do mundo do que se fosse mais claramente militante ou explícito.

 

Publicidade

Deixe o seu Comentário