CRÍTICAS ESTREIAS

Minha Amiga do Parque: Thriller maternal

Minha Amiga do Parque é  prova de que nossos hermanos argentinos estão feras em algo que o cinema nacional continua deficitário: bons roteiros – este aqui foi premiado no Festival de Sundance 2016.

Liz (Julieta Zylberberg, de um dos contos de Relatos Selvagens) acaba de se tornar mãe e está naquela fase de doação total, de certo desespero e desamparo. O marido está ausente, rodando um documentário no Chile.

Passear no parque com Nicanor é o máximo que Liz faz fora de casa, embora tenha a ajuda de uma senhora nos cuidados com o bebê – outro ponto de conflito, como bem sabem as mães de primeira viagem. É ali que conhece Rosa e sua pequena Clarissa. Corroteirista e diretora, Ana Katz interpreta essa personagem enigmática, que vai tirar a pacata rotina da nova amiga dos eixos.

Rosa diz ter uma irmã problemática, a quem precisa ajudar, o que inclui usar o carro de Liz. A história toda parece mal contada e o clima é de desconfiança, mas nem por isso Liz se afasta. É como se a sensação de perigo aplacasse a monotonia.

O espectador entra nessa espiral de ambiguidade tomado de receio e curiosidade. Minha Amiga do Parque é um thriller psicológico instigante, que coloca os desafios da maternidade como pano de fundo de um sutil retrato do preconceito.

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