CRÍTICAS ESTREIAS

A Morte de Stalin: Versão esculhambação geral

Lembram do escândalo que Seth Rogen e James Franco provocaram ao pintar o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, como um bebê chorão, dissimulado e sádico na comédia A Entrevista? Choveram ameaças de morte e de ataques às salas que exibissem a hilária produção de 2014. A Morte de Stalin foi banido dos cinemas russos a dois dias da estreia.

Também pudera. Embora não seja o alvo direto, o retrato da política opressora de Stalin e seus asseclas ecoa claramente no estilo do atual presidente russo, Vladimir Putin. Um elenco de primeira dá vida a um quadrinho francês que transforma a morte de Stalin e os bastidores do funeral em uma esculhambação geral, um espetáculo quase circense estrelado por idiotas e depravados.

Quem comanda a farra é Armando Iannucci, da também satírica série política Veep. Sem medo de ir (muito) longe, ele coloca nas mãos da pianista interpretada por Olga Kurylenko a chave para a repentina morte do ditador.

A futrica que se instala no Partido Comunista para definir um sucessor rende atuações inspiradíssimas de Steve Buscemi como um traiçoeiro Nikita Kruschev e Simon Russell Beale na pele do menos conhecido Lavrenti Béria, um dos principais executores da repressão stalinista.

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