CRÍTICAS ESTREIAS

Mulher-Maravilha: Uma guerreira muito meiga

A Warner já pode respirar aliviada. Se depender da Mulher-Maravilha, o Universo Cinematográfico da DC está salvo. Havia jornalista aplaudindo sem cerimônia na sessão para a imprensa aqui em São Paulo, nesta semana. Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) acaba de ganhar uma concorrente, porque a cineasta Patty Jenkins orquestra algumas das sequências de ação mais eletrizantes das adaptações dos quadrinhos. E não é à base de testosterona. Gal Gadot não perde a feminilidade nem na hora da pancadaria. E como ela bate!

Para quem era criança nos anos 70 e fã fanática do seriado estrelado por Lynda Carter – e vira e mexe saía de casa fantasiada de Mulher-Maravilha, com botinha e tudo – o primeiro filme solo da heroína é um evento especial. Mulher-Maravilha não tem medo de se assumir como filme de origem. Mas não há lenga-lenga. Começa com uma viagem pela Terra das Amazonas, onde a pequena princesa Diana cresce sem ter noção de seus poderes e de sua verdadeira origem – ela acredita que foi esculpida pela mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen), a partir do barro.

A inocência é a maior qualidade da heroína de Gal Gadot. Se Patty Jenkins transformou Charlize Theron em um ser repugnante em Monster: Desejo Assassino, que rendeu o Oscar à atriz, aqui ela preserva e ressalta a meiguice de Gal. Não há músculos bombados e sim um corpo afinado e delicado, que se encaixa no corpete como uma luva. A força da Mulher-Maravilha vem da alma, e é aniquiladora. Quando ela empunha o escudo e lança a corda, é uma apoteose – emoldurada pela estupenda trilha sonora de Rupert Gregson-Williams.

A fase inicial faz um mergulho na mitologia grega para desvendar a concepção da heroína, mas a coisa esquenta quando a calmaria na ilha das Amazonas é abalada pela queda do avião do piloto americano Steve Trevor, que Diana resgata do mar. Ele atravessou o portal entre os mundos como uma flecha de cupido, porque é amor à primeira vista.

Chris Pine é o ator perfeito para o papel. Meio galanteador e um tiquinho tímido, ele se encanta com aquela jovem de beleza exuberante, que também acha bem interessante o espécime masculino. Nesse encontro, o jogo de palavras com duplo sentido provoca o riso e dá leveza a uma história que, afinal, se passa durante a Primeira Guerra.

Não é preciso revelar detalhes do enredo. A engenhosidade na forma como os eventos se desenrolam está na mão firme de uma diretora cheia de convicção, que prioriza o fator humano. Diana entra em choque quando se depara com o horror da guerra – o lado negro do homem. Ela não entra na batalha porque gosta de uma boa luta. A bondade, o querer bem ao próximo, é a essência da Mulher-Maravilha. A força do seu caráter a torna autêntica.

Se Gal Gadot já havia roubado a cena do Homem-Morcego e do Homem de Aço na participação em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, agora ela prova que é capaz de reinar sozinha e pavimentar o até então arenoso terreno da Liga da Justiça nos cinemas. Arlequina que se cuide…

Cotação:

 

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