CRÍTICAS ESTREIAS

Mulheres em destaque: Daphne, Uma Espécie de Família e A Número Um

DAPHNE

Daphne tem 31 anos, sonha ser a chef do restaurante londrino em que trabalha, bebe além do normal e só tem casos rápidos. A relação com a mãe não é das melhores. Entre umas e outras, ela se torna testemunha de um crime e esse evento vai aprofundar sua crise existencial. Emily Beechmam (Ave, César!) ganhou prêmios no circuito independente pela atuação, mas falta carisma a essa personagem chatinha por quem é duro sentir empatia. Sabe aquela pessoa que sofre e não faz nada para mudar? Irrita, mas pelo menos deixa o espectador curioso para saber aonde seu jeito de ser vai levá-la. Nota: o diretor estreante é um premiado curta-metragista. SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

UMA ESPÉCIE DE FAMÍLIA

Eleita melhor filme no festival de Chicago (EUA) e melhor roteiro em San Sebastián (Espanha), essa comovente coprodução nacional narra a saga da médica Malena (Bárbara Lennie, de A Pele que Habito). Ela sai de Buenos Aires e vai até a longínqua Missões para adotar o filho de Marcela (Yanina Ávila, atriz amadora). As duas “mães” acompanham-se no parto, mas nos dias seguintes vão se dilacerar entre promessas e conflitos, a corrupção das autoridades e jogos familiares. Tudo isso sob a câmera intimista, atenta e estilizada de Diego Lerman, que privilegia os closes e a aridez da paisagem para revelar a impressionante gradação de emoções entre amor e renúncia. FÁTIMA GIGLIOTTI

A NÚMERO UM

Depois do nada sutil Sexo, Amor e Terapia, a cineasta Tonie Marshall (Instituto de Beleza Vênus) volta aos trilhos com essa obra assumidamente feminista. Emmanuelle Devos (Apenas um Suspiro) é uma renomada executiva, cooptada por um grupo feminista que a quer na briga pelo posto de presidente da Cia. Nacional de Água. O bastidor da disputa, em um universo dominado por homens, é o viés mais atraente do enredo. Além de explorar um trauma da protagonista relacionado à sua mãe, a trama investiga a vida pessoal não só dela como de outras mulheres que estão no jogo, para mostrar as dificuldades que encontram para equilibrar carreira, filhos, casamento… Essa mescla de temas acaba por dispersar o espectador, mas é um belo filme. SUZANA UCHÔA ITIBERÊ

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