CRÍTICAS ESTREIAS

Mundo Cão: O retorno de Marcos Jorge

Com o lançamento de Estômago (2007), quem acompanha de perto o cinema nacional ficou otimista com o aparente surgimento de um grande cineasta. Entretanto, os filmes seguintes de Marcos Jorge – a dizer Corpos Celestes (2009) e O Duelo (2015) – não empolgaram tanto. Felizmente, ele encontrou o caminho de volta para a força de seu longa de estreia em Mundo Cão (2015).

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Como aconteceu com o cozinheiro vivido por João Miguel, temos um homem do povo que adentra no mundo da violência por forças das circunstâncias. Santana (Babu Santana, de Tim Maia) é um laçador da carrocinha que captura o cachorro de Nenê (Lázaro Ramos, de Tudo que Aprendemos Juntos), um ex-policial cruel. O encontro dos dois homens trará graves consequências para a vida do laçador.

É preferível não adiantar mais da trama, para que o espectador tenha a experiência de reagir a cada reviravolta do enredo de forma pura. É possível dizer que há sequestro, vingança e violência nas cenas de Mundo Cão.

O roteiro do filme deve muito ao desenvolvimento dos personagens e às dinâmicas entre eles. Santana tem seu trabalho, mas também é pai, marido e até baterista. Assim como sua esposa (Adriana Esteves, de Real Beleza), uma evangélica que ganha sua renda ao fabricar calcinhas comportadas. Os filhos do casal também são figuras marcantes e com atuação nos rumos da trama.

Do outro lado do conflito, Nenê é um vilão odiável. Em sua apresentação na primeira cena, fica claro que ele se apoia na violência sem qualquer piedade. Mais adiante, quando é colocado frente a frente com o protagonista, há uma humanização que dá ao filme bem-vindas camadas dramáticas, que esquentam o debate sobre a natureza.

Cotração: *** ½

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