CRÍTICAS ESTREIAS

Na Praia à Noite Sozinha: DR entre diretor e atriz

Há uma informação essencial para se aproveitar ao máximo Na Praia à Noite Sozinha: a história do affair entre uma jovem atriz e um diretor bem mais velho e casado não é ficção, mas sim um curioso caso de “quando a vida imita a arte”. A estrela Kim Min-hee e o cineasta Hong Sang-soo se envolveram durantes as filmagens de Lugar Certo, História Errada (2015), que – olha a ironia – é sobre um cineasta que se apaixona por uma artista (no caso, uma pintora). O romance adúltero virou manchete de tabloides e Kim foi tachada de destruidora de lar e devoradora de homens.

A paixonite passou, e veja só. Neste filme que lhe rendeu o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim 2017, Kim se expõe corajosamente ao interpretar Younghee, uma famosa atriz coreana que abandona a carreira depois que o relacionamento com um diretor casado vira um circo na mídia. No filme, ela vai dar um tempo na cidade de Hamburgo, na Alemanha, onde revê uma amiga, ainda na esperança de que seu amado resolva aparecer.

A dor do abandono é palpável e saber que o causador desse dissabor está do outro lado da câmera, comandando esse episódio melancólico, torna tudo mais instigante. Conhecido no Brasil por filmes como Hahaha (2010) e A Visitante Francesa (2012), Sang-soo costuma inserir personagens ligados de alguma forma ao cinema, investe em trilhas sonoras delicadas e, invariavelmente, coloca todo mundo para beber em cena – e como bebem.

Depois da estadia na Alemanha, Younghee volta à Coreia e reencontra alguns velhos amigos na cidade costeira de Gangneung, onde comem e bebem juntos. O álcool liberta a contida protagonista nessa fase da trama, e suas dores e frustrações afloram com potência. Há confronto verbais significativos sobre o amor proibido e o espectador se vê imerso nessa DR (discutir a relação) autêntica e pública. Uma resposta digna e artística para os fofoqueiros de plantão.

 

 

 

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