CRÍTICAS ESTREIAS

No Intenso Agora: Íntimo e universal

Em Santiago (2007), João Moreira Salles remexia os arquivos da família e os seus próprios, com imagens que tinha feito anos antes para um filme fracassado sobre o mordomo da família. Criou um documentário sobre seu pai, sobre suas próprias limitações e sobre divisão de classes. Uma década mais tarde, ele volta com No Intenso Agora, que discute utopia, paixão e o arrefecimento dela, a partir de imagens que encontrou por acaso de uma viagem de sua mãe à China, na época da Revolução Cultural, na década de 1960.

Novamente, ele usa o pessoal – o encantamento com a vida que ela demonstrava naquela jornada, por aquele mundo tão diferente do seu, que se perdeu com a passagem dos anos – ela cometeu suicídio. Mas mistura com questões mais globais, utilizando imagens de arquivos de outros momentos intensos do mesmo período, como o Maio de 1968 em Paris, a Primavera de Praga e a luta contra a ditadura no Brasil. No filme-ensaio, ele debate o que acontece quando a paixão termina, mas também o significado das imagens, o que lemos nelas, seus mistérios, com observações tocantes e poderosas.

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