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Nova série da Fox, The Resident explora o lado sujo da medicina

Médicos, advogados e policiais. As três profissões formam o trio básico do mundo das séries, com variações que incluem agentes federais, detetives e bombeiros, promotores e juízes, médicos na linha de frente de uma guerra ou consultórios. O difícil é tirar algo novo do que já foi tão explorado. Em The Resident, nova série da Fox, a escolha foi mostrar o que há de pior na medicina.

O cenário é um grande hospital dominado por uma estrela, o Dr. Bell (Bruce Greenwood, de The Post – A Guerra Secreta), um grande cirurgião com um ego ainda maior e disposto a manter seu status de semideus a todo custo. A outra estrela presente é Conrad (Matt Czuchry, de Glmore Girls), o residente do título, talentoso, arrogante e que parece estar no caminho para ser o futuro Dr. Bell. Sob sua supervisão está o primeiranista de residência Devon Pravesh (Manish Dayal, de Agentes da S.H.I.E.L.D. da Marvel), um típico aluno brilhante que sonha em ser, acertou, um médico como o Dr. Bell.

O grande problema é que Bell já deveria ter deixado a sala de cirurgia. Como os atletas, os músicos e muitos outros profissionais, há um momento em que o corpo cobra por uma vida de alto desempenho, mas são poucos os que reconhecem que é hora de deixar o palco. O que no caso de Bell se traduz em risco constante para a saúde de seus pacientes. E pior, todos no hospital sabem e se calam, como uma vizinhança amedrontada pelo traficante local. É um sistema doente em que o resultado econômico de um atendimento está acima do que é melhor para o paciente, em que a meta é ser um profissional famoso e não o profissional que jurou não fazer o mal.

O resultado das escolhas da produção é um quadro cínico e negativo onde o delicado equilíbrio entre negócio e saúde há muito vem pendendo para o lado errado. Mas como esse negativismo não seria capaz de manter o programa no ar, Conrad entra como o rebelde contra o sistema, um médico dedicado aos pacientes, embora sua atitude para com as pessoas, em especial Devon e sua ex-namorada, a enfermeira Nic (Emily VanCamp, de Revenge), o mostre como um rematado idiota em questões interpessoais.

Não é preciso muito para perceber que o alvo na criação do personagem era mostrar um médico capaz de um dia ser um Dr. House, um profissional maravilhoso, mas um ser humano difícil de engolir. O resultado no início da série está a anos-luz do alvo, mas fica claro que Conrad está ali para nos lembrar que nem tudo está perdido.  É o personagem pelo qual devemos torcer e pelo qual devemos voltar a assistir a série no episódio seguinte.

A série toca ainda na questão dos refugiados, representada pela Dra. Okafor (Shaunette Renée Wilson, de Pantera Negra), uma cirurgiã talentosa, mas completamente sem empatia pelos pacientes e cuja condição de estrangeira em busca de visto é explorada por Bell. Não é uma cena bonita, mas detestar Bell tem de ser tão eficiente quanto gostar de Conrad e se depender de Bruce Greenwood, a dinâmica vai funcionar.

ONDE VER: FOX

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